Chapa 1 vence comandará o clube no biênio 75/76

A reunião do Conselho Deliberativo em 15/01, definiria as diretrizes políticas do Clube nos próximos anos. Até então, o clube não se movimentou no mercado a procura de reforços.

A eleição seria disputada por duas chapas: Chapa 1 (situação) e a Chapa 2 “Dona Olga Coury” (oposição). Havia uma terceira chapa mas Odair Ribeiro Leal, seu líder, resolveu retirar a candidatura para apoiar a situação.

Com apoio decisivo das mulheres, a Chapa 1, prestigiada pela atual diretoria, venceu a eleição pela diferença de apenas 18 votos. O resultado indicou 705 votos contra 687, além de 4 votos em branco e 5 nulos. Portanto, 1.401 associados votaram, número que representa 20,6% do atual quadro social (6.800 sócios em condições de votar).

A urna de número três foi a que praticamente decidiu o pleito. Reservada apenas para votação feminina, sua apuração apontou uma diferença de 46 votos a favor da situação (58 a 12).

Situação x Oposição: time de estrelas x investimento na base

A oposição ganhou o apoio de Athiê e da Torcida Jovem. Esmeraldo Tarquínio ironizou a chapa da situação e prometeu que caso a oposição vencesse, terminariam as viagens de diretores ao exterior.

Às 21h, quando um funcionário do clube fechava a porta de entrada do salão, e dali adiante só votariam os que estavam dentro do clube, Esmeraldo Tarquínio (oposição) tentou colocar mais dez pessoas no salão. Salvador Cichello (situação), diretor de futebol do clube, impediu a entrada dos eleitores, empurrando e fechando a porta. Tarquínio e Chichello trocaram palavrões por vários minutos.

Mudanças, estádio para 70 mil pessoas e conjunto aquático poliesportivo

A nova diretoria, comandada por Carlos Caldeira, Vasco José Faé e Antônio Erasmo Dias, tem planos para construção de um estádio na entrada da cidade, com capacidade para 70 mil pessoas. Por isso deverá lançar uma campanha de títulos patrimoniais para 25 mil novos sócios, e, o que é mais importante, pensa em fazer grandes contratações.

Dias antes das eleições, o então Vice-presidente de Administração e Patrimônio, Sérgio Waldir Orefice, explicava a plataforma de base sobre a qual o Santos irá apoiar-se nos próximos 4 anos. Apresentando a maquete do novo estádio, ele levantava a possibilidade de que o Santos pudesse ressurgir no futebol brasileiro, a exemplo do que aconteceu com o Cruzeiro e Atlético-MG após a construção do Mineirão.

Dois terços da construção desse estádio já estariam pagos, caso o governo autorizasse o empréstimo especial, o que os dirigentes esperavam que acontecesse ainda na gestão Médice. Essa parcela seria paga com a venda de camarotes especiais, construídos em toda a volta do estádio. Orefice, bastante satisfeito, havia afirmado categoricamente que esses camarotes já estariam todos prometidos à empresas de São Paulo.

O conjunto aquático poliesportivo, anexo ao estádio, serviria de chamariz para atrair novos sócios, “principalmente o pessoal dos bairros pobres da zona noroeste, que não tem onde se divertir”.

Orefice disse que o preço da mensalidade seria baixo, mais uma razão para a adesão de classes pobres, mas que o grande número de sócios pretendidos trariam vultuosas somas aos cofres do clube.

Ainda segundo o dirigente, O estádio depende do prefeito Antonio Manoel de Carvalho, que ainda não cumpriu a promessa de doar ao clube um terreno no bairro de Chico de Paula.

No dia 28/02 foram homologados os nomes de Vasco José Faé, Presidente do Santos FC, e de Clayton Bittencourt, Vice-presidente de Esportes.