São Paulo 1 x 1 Santos

Data: 16/03/1997, domingo, 11h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 26.425 pagantes
Renda: R$ 209.572,00
Árbitro: José Mocellin (RS).
Cartões amarelos: Denílson, Serginho, Rogério Pinheiro e Belletti (SP); Ronaldão, Narciso, Ânderson Lima, Marcos Assunção e Macedo (S).
Cartão vermelho: Válber (SP).
Gols: Dodô (04-2) e Marcos Assunção (32-2, de pênalti).

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Cláudio, Rogério Pinheiro, Válber, Bordon e Serginho; Axel, Belletti e Denílson (Adriano); Marques (Dodô) e Aristizábal (França).
Técnico: Muricy Ramalho

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Narciso, Ronaldão e Cássio (Rogério Seves); Marcos Assunção, Vágner (Caíco), Robert e Alexandre (Eduardo Marques); Macedo e Edgar Baez.
Técnico: Vanderlei Luxemburgo



São Paulo falha e permite sexto empate

Duas falhas da defesa -a expulsão de Válber, aos 5min, e o pênalti infantil cometido por Serginho, aos 30min- foram suficientes para o São Paulo não conseguir segurar a vantagem que tinha sobre o Santos, ontem, no Morumbi.

Após estar ganhando por 1 a 0, o time são-paulino permitiu o empate, o sexto consecutivo da equipe na competição.

O Santos teve o domínio da partida desde o início, utilizando bem o espaço deixado entre a defesa e o ataque do São Paulo.

O time do Morumbi preferiu se postar atrás, com três zagueiros e Válber na sobra, esperando uma falha do Santos. Só equilibrou o jogo a partir dos 20min.

Mas as principais jogadas da equipe morriam nos pés do lateral-direito Cláudio, que, contrariando as orientações, insistia nos cruzamentos altos e inúteis.

Assim, a melhor chance do primeiro tempo acabou sendo do Santos. Aos 24min, o lateral-esquerdo Cássio recebeu passe de Robert e chutou na trave.

No segundo tempo, o São Paulo subiu de produção com a entrada de Dodô no lugar de Marques. Logos aos 4min, ele abriu o placar. Tabelou com Aristizábal e bateu no canto direito de Zetti.

Mais uma vez o São Paulo se deixou levar pela emoção do gol. No lance seguinte, desatenta, a defesa permitiu que Macedo dominasse livre na entrada da área. No desespero, Válber puxou o atacante pela cintura, cometendo a falta e sendo expulso.

Com um jogador a menos, o São Paulo voltou a recuar. Mas o Santos não conseguiu aproveitar bem a superioridade numérica. O time concentrou o jogo pelo meio, facilitando a marcação. Teve apenas duas boas chances de gol, com Robert e Macedo.

Até que, aos 30min, o lateral são-paulino Serginho subiu para disputar uma bola com Baez e colocou a mão na bola na área. Pênalti, que Marcos Assunção converteu.

Depois do gol, o domínio do Santos continuou estéril, e o São Paulo se contentou com o empate.

Empate no clássico irrita os torcedores

Jogadores são-paulinos e santistas não ficaram satisfeitos com as vaias da torcida no Morumbi.

“O santista precisa aprender a torcer. A equipe jogou bem e não merecia vaias”, disse o técnico Wanderley Luxemburgo.

“O time jogou pra caramba, com garra. Não entendo como a torcida não reconhece”, afirmou o meia são-paulino Denílson.

“Demos toda a raça do mundo. Os que vêm para xingar deveriam ficar em casa. O time é de garotos e sente as vaias”, disse Belletti.
O segundo clássico matutino do ano foi disputado sob tempo nublado, com temperatura oscilando entre 21° e 22°. Desta vez, ninguém reclamou do calor ou do horário.

Números mostram ‘cera’ são-paulina no 2º tempo

Os números da partida mostram um Santos mais equilibrado durante os 90 minutos e um São Paulo com desempenho distinto nas duas etapas.

Segundo levantamento do Datafolha, o Santos reteve a reposição de bola 8min15s no primeiro tempo. No segundo, esse tempo baixou 2min43s.

Já o São Paulo praticamente dobrou nesse quesito. Demorou 7min34s nas reposições da primeira etapa e 14min50s na segunda. O time jogou 40 dos 45 minutos finais com um atleta a menos.

Nas duas etapas, o Santos teve a bola no ataque praticamente o mesmo tempo -9min02s, primeiro, e 9min29s, segundo. O São Paulo atacou 7min38s no primeiro tempo e 6min no segundo.

Destaques:

Os destaques individuais da partida foram Dodô, pelo São Paulo, com 100% de passes certos -15- e Marcos Assunção, pelo Santos, que, de 55 passes, acertou 50.

Negativamente, destacaram-se Denílson, no São Paulo, que de 34 bolas recebidas perdeu 11, e Baez, no Santos, que errou as quatro finalizações ao gol que tentou.

Faltou ambição ao Santos para virar o clássico
Por Alberto Helena Jr.

Bem que o Santos poderia ter virado o clássico de ontem, depois da expulsão de Válber, na sequência do golaço do menino Dodô, em parceria com Aristizábal. Teve o domínio da bola e dos espaços, mas faltaram-lhe ambição e contundência para empurrar a bichinha lá no fundo, sobretudo depois de ter alcançado o empate, em pênalti cobrado por Assunção.

Moral da história: se o Santos quiser mesmo recuperar os tempos dourados, terá de investir pra valer numa dupla de atacantes à altura dessas pretensões, mesmo contando com Alessandro, o maior ausente de ontem.

Contratação de Muller divide as opiniões no Santos

Mesmo sem ter definido a contratação de Muller, a provável chegada do atacante já provoca polêmica no Santos.

O supervisor de futebol da equipe, Marco Aurélio Cunha, posicionou-se contra a vinda do atacante. “Como jogador, o Muller é excepcional, mas como profissional, eu tenho minhas restrições”, explicou Cunha, que trabalhou com o atleta no São Paulo e no Kashiwa Reysol (Japão).

O vice-presidente do Santos, Clodoaldo Taváres Santana, ressaltou que a decisão não cabe ao supervisor. “Nós respeitamos a opinião, mas o interesse é da diretoria, atendendo pedido do treinador.”

A única pendência no negócio é quanto à forma de pagamento da multa de R$ 1,2 milhão ao São Paulo -garantia imposta na época que Muller foi para o Perugia (Itália), tentando impedir que ele voltasse para outro time brasileiro.

“Nós não vamos parcelar”, afirmou o presidente são-paulino Fernando Casal de Rey. “Ele, inclusive, nos procurou, tentando voltar para o São Paulo, antes de o Santos se interessar”, completou De Rey.





Clássico prevê ‘pulverização’ de gols ( Em 16/03/1997 )

Sem goleadores em suas equipes, São Paulo e Santos contam com vários artilheiros com poucos gols no Paulista

São Paulo e Santos fazem hoje, às 11h, no Morumbi, um clássico que promete “pulverização” de gols. Carentes de “matadores”, os times têm ataques solidários e diversos artilheiros de poucos gols.

Isso já não acontece com o líder Palmeiras, melhor ataque da competição com 25 gols, que estão concentrados nos goleadores Luizão (8 gols) e Viola (7) e em mais quatro jogadores (Djalminha, Marquinhos, Galeano e Cafu).

Em contrapartida, 11 jogadores fizeram os 16 gols do São Paulo: Cláudio, Nem, Serginho, Belletti, Adriano, Denílson, Dodô, Marques, França, Aristizábal e até o goleiro Rogério. O artilheiro da equipe é Dodô, com apenas três gols.

No time de hoje, só os zagueiros Válber, Rogério Pinheiro e Bordon e o volante Axel não marcaram.

“Sem um matador, estamos repartindo a tarefa de fazer gols. Nós, atacantes, estamos preparando as jogadas para quem vem de trás”, afirmou Marques.

Para o técnico Muricy, essa solidariedade é positiva para o time. “Não temos ninguém fixo na área, temos participação total no ataque. Ao meu ver, é mais difícil marcar uma equipe assim”, disse.

Reforço

O Santos também divide a tarefa de fazer gols. Oito jogadores (Alessandro, Alexandre, Robert, Macedo, Vágner, Marcos Assunção, Ronaldão e Fumaça) marcaram os 15 tentos da equipe, O artilheiro é Robert, também com três gols.

Diferentemente do que acontece no São Paulo, o técnico Vanderlei Luxemburgo não está satisfeito. Ele pede a contratação de um goleador desde o início do campeonato e só acalmou com a notícia da provável aquisição de Muller.

Equipe de Luxemburgo busca vitória à distância

Depois do título conquistado no Rio-São Paulo com um gol de longe de Juari, chutes de longa distância viraram uma mania no Santos.

Neste Paulista, a equipe santista já marcou três gols de fora da área, sem contar as cobranças de falta.

A jogada também é utilizada na Copa do Brasil. Robert, artilheiro da equipe no Paulista-97, fez dois gols com chutes longos contra a Desportiva, no Parque Antarctica.

“As equipes têm enfrentado o Santos na retranca e a melhor maneira de furar esse bloqueio é tentando de longe”, afirma Robert.

“O talento dos jogadores ajuda, mas a melhora dos gramados foi decisiva porque a trajetória da bola não te engana. Na Europa já se chuta de longe há muito tempo”, diz Vanderlei Luxemburgo, técnico do Santos.

Zetti ‘aceita’ gol de falta

O goleiro Zetti, do Santos, diz que não teme sofrer um gol do seu ex-companheiro Rogério na partida de hoje, ao contrário do goleiro Ronaldo, do Corinthians, que disse que abandonaria o futebol se sofresse um gol do são-paulino.

Hoje é a primeira vez que Zetti enfrenta sua ex-equipe, desde que deixou o São Paulo, em dezembro.

Repórter – Quando você estava no São Paulo, o Rogério treinava faltas com você?
Zetti – Não, ele cobrava com barreira fixa, após o treino, sem goleiro. Hoje ele treina sério, mas naquela época era só brincadeira, já que ele tinha poucas chances de fazer as cobranças, pois não jogava.

Repórter – Contra a Inter de Limeira a torcida gritou seu nome para cobrar um pênalti. Por que não o cobrou?
Zetti – O Santos já vencia por 4 a 2. Acho que seria uma humilhação para os adversários, mas foi uma homenagem maravilhosa.

Repórter – Ver um goleiro ir bater a falta pode desconcentrá-lo por nervosismo?
Zetti – Não no meu caso. Ele é um grande batedor e acho boa essa evolução. Só não acharia positivo se um goleiro fosse para a área adversária com seu time ganhando. Se for por desespero de causa, tudo bem.