Atlético-PR 1 x 1 Santos

Data: 19/10/1997, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio Érton Coelho de Queiroz, a Vila Olímpica, em Curitiba, PR.
Público: 14.557 pagantes
Renda: R$ 82.595,00
Árbitro: Ubiraci Damásio (RJ).
Cartões amarelos: Alberto, Reginaldo, Paulo Miranda e Silvinho (A); Marcos Assunção e Narciso (S). Gols: Caíco (11-1) e Luisinho (29-1).

ATLÉTICO-PR
Ricardo Pinto; Alberto, Reginaldo, Wilson, Pádua e Ronaldo; Perdigão (Bernardo), Paulo Miranda e Nilson (Silvinho); Luisinho e Alex (Pachequinho).
Técnico: Abel Braga

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Jean, Ronaldão e Dutra; Narciso, Marcos Assunção, João Santos (Arinelson) e Caíco (Alexandre); Caio (Macedo) e Muller.
Técnico: Wanderley Luxemburgo



Santos empata e fica próximo da vaga

O Santos completou ontem 104 dias sem vencer uma partida fora de casa, ao empatar em 1 a 1 com o Atlético-PR, em Curitiba (PR). Com o empate, a equipe soma 34 pontos no Brasileiro e está mais perto da classificação.

O Atlético-PR passou a somar 26 pontos e não tem mais chances de se classificar. A equipe paranaense pretende, nos quatro jogos que ainda restam, lutar para se manter longe da zona de rebaixamento.

O Santos garantiu o empate graças ao goleiro Zetti, que defendeu um pênalti cobrado por Luisinho aos 3min do segundo tempo.

O Atlético-PR começou o jogo no ataque. A equipe santista armou um esquema defensivo, utilizando o contra-ataque. A tática funcionou. Aos 11min do primeiro tempo, a bola sobrou na entrada da área para Caíco, que chutou no meio do gol, sem defesa para o goleiro Ricardo Pinto.

A partir do gol, o Santos recuou mais. O Atlético-PR manteve o domínio da bola e tentava vencer a defesa do Santos pelo meio.

O Santos chegou novamente com perigo ao gol de Ricardo Pinto aos 19min. Caíco recebeu uma bola na entrada da área e chutou forte. Ricardo Pinto defendeu.

O Atlético-PR mudou então o jogo e começou a utilizar as pontas, com lançamentos na área. Dois minutos depois, o Atlético chegou com perigo ao gol de Zetti. Num cruzamento, Ronaldão cortou de cabeça e quase fez contra. A bola bateu no travessão e saiu.

Aos 29min, em mais um cruzamento na área santista, Narciso colocou a mão na bola. Luisinho bateu o pênalti e empatou o jogo. Zetti ainda tocou a mão na bola, que foi no seu canto esquerdo, mas não conseguiu fazer a defesa.

O Santos voltou mais ofensivo no segundo tempo, assim como o Atlético-PR, que precisava da vitória, o que transformou os últimos 45 minutos em um jogo aberto, com os dois times atacando muito.

Uma das melhores oportunidades do Santos surgiu aos 20min. Pela esquerda, na entrada da grande área, Muller tocou de calcanhar para Arinélson, que havia entrado no lugar de João Santos.

O chute forte de Arinélson, porém, explodiu em cima do paranaense Reginaldo.

O Santos teve ainda duas boas chances de gol no final do jogo. Na melhor delas, Macedo, que havia entrado no lugar de Caio, chutou da intermediária e quase marcou.

Luxemburgo exige melhora

O técnico do Santos, Wanderley Luxemburgo, disse ontem que o time precisa melhorar em “tudo” para ter chances no Brasileiro. O técnico não quis detalhar, porém, quais as principais carências.

Luxemburgo voltou a repetir que não se importa com o fato de o time não conseguir vencer fora.

Na próxima fase, será essencial ganhar partidas fora de casa, ainda mais porque o Santos não poderá continuar jogando no estádio da Vila Belmiro, em Santos, que tem capacidade abaixo do exigido.

“Minha preocupação agora é garantir a classificação. Isso é para se pensar depois da classificação”, disse o treinador.

Zetti previu onde pênalti seria cobrado

Ao defender um pênalti logo no início do segundo tempo -que, se marcado, colocaria o Atlético-PR à frente no placar-, o goleiro Zetti foi o principal responsável pelo empate obtido pelo Santos ontem.

O goleiro santista disse que, pelo posicionamento do atacante Luisinho, já sabia que ele iria chutar no canto esquerdo -o mesmo escolhido no primeiro pênalti, quando Luisinho bateu e empatou o jogo.

“Eu senti que ele não ia trocar de canto.” Leia trechos da entrevista concedida pelo goleiro santista à Agência Folha após o jogo.

Repórter – Como foi a defesa do pênalti?
Zetti – A área onde jogamos o primeiro tempo está com muito barro, o que acabou dificultando minha defesa. Já do outro lado a grama está mais firme. Pelo posicionamento do Luisinho, eu senti que ele não ia trocar o canto. Por isso, a defesa funcionou. Ele foi o único jogador que bateu falta e só chuta num estilo. Isso facilitou também. Dos três últimos pênaltis, eu consegui pegar dois. Está bom.

Repórter – Você está satisfeito com o empate?
Zetti – Tínhamos o objetivo de ganhar, mas encontramos uma equipe que corre bastante. Jogando dentro da casa, a vontade aumenta para eles.

Repórter – Quantos pontos você imagina ainda serem necessários para a classificação?
Zetti – O resultado de hoje foi ótimo. Somamos um ponto importantíssimo aqui. Agora, dentro de casa, temos de decidir com os jogos que restam. Eu acredito que com mais duas vitórias estaremos classificados.

Repórter – Para você, qual foi a principal dificuldade no jogo contra o Atlético?
Zetti – Foram as bolas lançadas na área com perigo. O Nílson é um jogador que sobe bem de cabeça. Mas o Ronaldo esteve perfeito, principalmente nessas bolas altas. Ele tirou todas.



Santos tenta vencer fora, 103 dias depois ( Em 19/10/1997 )

Com a volta de todos os titulares, poupados na Supercopa, o Santos pega o Atlético-PR hoje, às 16h, em Curitiba, preocupado com o estigma de “time caseiro”.

Nos dois torneios que disputa neste semestre, o Brasileiro e a Supercopa, a equipe só venceu uma partida fora da Vila Belmiro, há 103 dias, contra o Flamengo, no Maracanã. Depois disso, foram oito derrotas e quatro empates.

Com a equipe virtualmente classificada para a próxima fase, tem 36 pontos, o técnico Wanderley Luxemburgo sabe que não terá sucesso nas finais se o time não “aprender” a vencer fora.

Na próxima fase, os times serão divididos em dois grupos de quatro e apenas o primeiro se classificará para a decisão. Por isso, as vitórias como visitante serão necessárias.

“O time tem feito boas apresentações fora de casa, pena que o resultado positivo não aparece e o que fica é o resultado. Um dia a sorte muda de lado”, afirmou o goleiro Zetti.

“Assim como perdemos na Vila Belmiro, vamos vencer fora. No momento, nem quero pensar nisso. Nossa meta é a classificação, vencendo dentro ou fora de casa”, afirmou o técnico Wanderley Luxemburgo.

“Na reta de chegada, o importante é somar pontos. O Atlético-PR é perigoso dentro de casa, merece respeito. Nossa meta é vencer todos os jogos, mas, no momento atual, o empate é válido”, disse o meia Caíco.

O treinador também chamou a atenção dos jogadores para os gols sofridos em lances de bola parada. “No jogo contra o Vasco, pela Supercopa, a apresentação foi boa, só não gostei de tomar dois gols de bola parada. Isso não pode mais acontecer”, disse Luxemburgo.

Jogadores e treinador trocam elogios na boa fase

Os jogadores do Santos e o técnico Wanderley Luxemburgo têm trocado elogios para justificar a boa fase da equipe no Brasileiro.

Para o atacante Muller, a concentração prolongada que o time adotou durante a semana é uma prova de união. “Nessa hora de decisão, vale qualquer sacrifício.”

“Estamos diferenciados em termos de grupo. A amizade prevalece dentro e fora de campo. Aqui, não existe titular e reserva, mas um grupo com o mesmo objetivo, a classificação”, disse Zetti.

Para o técnico Wanderley Luxemburgo, a participação dos jogadores mais experientes tem sido fundamental. “O Zetti, o Muller e o Ronaldão são vencedores. Eles passam experiência aos mais novos. Sabem a hora certa de o grupo partir em busca do objetivo.”

O técnico Abel Braga, do Atlético-PR, acredita que os erros individuais estão prejudicando a campanha do time.

Braga, que mantém o time com apenas um atacante fixo, Nílson, preocupou-se em passar tranquilidade aos jogadores, para que reduzam as falhas.