Santos 3 x 2 São Paulo

Data: 28/07/1999, quarta-feira, 21h40.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 2ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 10.719 pagantes
Renda: R$ 114.270,00
Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (SP).
Cartões amarelos: Aristizábal e Dodô (S); Emerson (SP).
Cartões vermelhos: Caíco (S) e Nem (SP) aos 40-2.
Gols: França (12-1) e Jean (14-1); Aílton (02-2), Emerson (09-2) e Dodô (38-2).

SANTOS
Zetti; Michael, Jean, Claudiomiro e Gustavo Nery; Élson, Narciso, Aílton e Rodrigão (Andrei); Aristizábal (Caíco) e Dodô.
Técnico: Emerson Leão

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Nem, Márcio Santos, Wilson e Edmílson (Emerson); Fabrício, Carlos Miguel, Souza e Marcelinho Paraíba; Sandro Hiroshi (Raí) e França (Edu).
Técnico: Paulo César Carpegiani



Dodô marca, e Santos bate o São Paulo

Atacante que foi dispensado pelo técnico são-paulino Carpegiani define a vitória para o time de Leão

Com um gol do ex-são-paulino Dodô aos 39min do segundo tempo, o Santos venceu o São Paulo ontem, por 3 a 2, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro-99. Com o resultado, o Santos soma seis pontos e e lidera o torneio.

A equipe santista começou melhor a partida, pressionando bastante o adversário.

Logo aos 4min, o Santos quase marcou. O zagueiro Nem errou na saída de bola, e Dodô teve chance para finalizar. Chutou forte, rasteiro, mas a bola saiu à esquerda do gol de Rogério.

Na primeira boa chance de gol que teve, o São Paulo marcou. Sandro Hiroshi recebeu livre, aos 13min, pela esquerda e cruzou para França cabecear.

O troco do Santos veio dois minutos depois. Após uma cobrança de escanteio, a bola foi desviada de cabeça, e Jean aproveitou na pequena área para empatar.

Aos 21min, Dodô, que pouco vinha aparecendo, fez falta violenta e recebeu cartão amarelo. Na sequência, o meia-atacante Marcelinho invadiu a área pela esquerda, mas chutou em cima de Zetti.

O Santos esteve perto de marcar aos 40min. Dodô recebeu na área e ficou frente a frente com Rogério, que conseguiu agarrar a bola nos pés do atacante.

No segundo tempo, os dois times voltaram com alterações. Leão tirou Aristizábal e Rodrigão, colocando Caíco e Andrei. Carpegiani tirou Edmílson e pôs o meia-atacante Emerson.

E, logo aos 2min, Aílton, destaque do Santos, recebeu na entrada da área e chutou com força. A bola tocou na trave antes de entrar.

Aos 10min, porém, Marcelinho foi à linha de fundo e cruzou da esquerda para Emerson completar e empatar de novo o jogo.

Aos 22min, Zetti salvou duas vezes o Santos, pegando chutes de Souza e, no rebote, de França.

Aos 39min, Dodô aproveitou jogada igual ao do primeiro gol santista, em que a bola foi desviada na primeira trave, após escanteio, e fez de cabeça. Foi seu segundo gol no Brasileiro.

Atacante diz que brilhou outra vez

O atacante Dodô comemorou seu gol perto da torcida. Levantou os braços, olhou para o alto e subiu no alambrado. “Fiquei empolgado com o gol. Foi num lance de jogada ensaiada”, disse o atacante.

“Era um clássico, tivemos poucas chances. Felizmente, minha estrela brilhou mais uma vez. A vontade da equipe foi fundamental”, afirmou o jogador, que trocou de camisa com o ex-companheiro Carlos Miguel. “Não jogo mais no São Paulo, mas deixei amigos. Isso é o que importa no futebol.”

O zagueiro Márcio Santos não escondeu a irritação. “Tocamos melhor a bola. Não merecíamos a derrota. Num clássico, não se pode levar dois gols de bola parada. Treinamos a jogada e falhamos.”

O técnico Leão enalteceu a determinação de sua equipe. “Mais uma vez o time se superou em campo. Teve vontade e mereceu a vitória”, disse.

Pelo lado do São Paulo, apesar da derrota, o técnico Carpegiani gostou do rendimento do time. “Tivemos equilíbrio, principalmente no segundo tempo, quando alternamos jogadas pela direita e pela esquerda. Se o time perder sempre assim, fico satisfeito.”

Hoje, o Santos embarca para a Europa, onde disputará torneios na Holanda e Espanha. O primeiro jogo será com o Ajax.


Dupla santista encara o São Paulo sem mágoas

Os atacantes Dodô e Aristizábal pegam ex-time pelo Brasileiro

É apenas a segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Mas a partida desta noite, entre Santos e São Paulo, que será disputada no estádio da Vila Belmiro (Santos), às 21h40, deverá ser encarada pela dupla de atacantes Dodô e Aristizábal de maneira diferente.

É a primeira vez que a dupla, dispensada pelo São Paulo, enfrenta o ex-clube. Em 1997, Dodô e Aristizábal foram os grandes destaques do time na conquista do vice-campeonato paulista.

“Não tem nada de mágoa do São Paulo ou bronca do Paulo César Carpegiani, que é um grande treinador. Ele já provou isso. Estou preocupado em conquistar mais uma vitória para o Santos, meu clube”, afirmou Dodô.

“Enfrentar o São Paulo tem o mesmo sabor se o jogo fosse contra Juventude, Botafogo ou Goiás. Não tenho nada contra o São Paulo, que ainda é o dono do meu passe”, afirmou Aristizábal.

No “reencontro” oficial da dupla, no último domingo, o Santos venceu o Paraná Clube por 2 a 0, com gols dos dois atacantes.

Para Dodô, a partida contra o São Paulo será mais “passional”, já que ele estará frente a frente com o técnico Carpegiani, responsável pela sua saída do time.

“Ele (Dodô) não me diz mais respeito, já não faz mais parte do grupo. Vou ter cuidado com o Santos, não com um jogador apenas”, afirmou Carpegiani.

Os problemas entre Dodô e Carpegiani começaram na estréia do São Paulo no Paulista-99, poucos meses depois de o treinador assumir o comando do time. O técnico não aprovou a “banana” que o atacante deu para os torcedores, depois de marcar um gol, na partida contra o Guarani. Até marcar o gol da equipe, Dodô estava sendo duramente vaiado pelos torcedores são-paulinos.

No final da fase de classificação do torneio, insatisfeito com a performance do atacante, que estava recebendo constantes vaias da torcida, o treinador afastou Dodô. O jogador protestou, mas somente foi reintegrado ao time nos dois últimos jogos do São Paulo.

No começo deste mês, antes de Dodô ser negociado com o Santos, Carpegiani barrou o atacante para os treinos da equipe nos EUA e no México, antes do início do Campeonato Brasileiro. O treinador usou como pretexto a falta do atacante numa sessão para tirar as medidas para a confecção de um terno, que seria usado na viagem ao exterior.

Dodô disse que em hipótese alguma dará uma banana para os torcedores do São Paulo na partida desta noite. “Não tenho bronca da torcida do São Paulo. Ela é igual a qualquer torcida. Aplaude quando o time vence e vaia quando perde”, disse o atacante.

Na partida de hoje, o São Paulo não terá Carabali, que sofreu uma contusão na estréia do São Paulo no Brasileiro, na goleada por 5 a 1 contra o Atlético-MG. O zagueiro Nem, improvisado na função, deverá ser o substituto do volante.

“Não vou divulgar a equipe, não quero facilitar o trabalho do Leão”, completou Carpegiani.

Souza faz Leão pensar em mudar o esquema tático

O técnico Emerson Leão sabe que dos pés de Souza nascem as jogadas ofensivas do São Paulo, e não será surpresa se mudar a maneira tática do Santos se comportar em campo para neutralizar o ponto de desequilíbrio do adversário de hoje.

“O Santos não tem um time definido e joga de acordo com a característica do adversário”, disse Leão, que no coletivo de ontem manteve a mesma equipe que venceu o Paraná Clube.

Porém o zagueiro Andrei poderá ser aproveitado, passando Claudiomiro para o meio campo. Com isso, Leão reforça o sistema de marcação, principalmente pelo setor esquerdo. Gustavo Neri não vem correspondendo a expectativa do treinador.

Caso decida por essa alteração, quem perde o lugar no time é o atacante Rodrigão. Aristizábal jogaria mais avançado pelo setor direito, procurando as tabelas com Dodô.

“Vamos aguardar. O Santos está preocupado com o São Paulo, mas o Carpegiani também está preocupado com o Santos. Não há favoritismo em um jogo clássico”, afirma Leão.

“Vingança” é temida por zagueiro

O zagueiro Márcio Santos, um dos encarregados pela marcação da dupla Dodô e Aristizábal, disse ontem que espera que os ex-são-paulinos enfrentem o time “com mais disposição” do que o normal.

“Sempre quando um jogador enfrenta o seu ex-time, ele joga com mais vontade, é natural. Nós passamos por isso contra o Atlético-MG (no domingo). O Gallo e o Belletti pareciam que estavam disputando uma final”, disse o atleta, referindo-se aos volantes que deixaram o clube no semestre passado.

Como Dodô, Márcio Santos teve problemas pessoais com o técnico Paulo César Carpegiani. Depois que deu uma entrevista criticando o treinador, que o havia deixado na reserva, Márcio Santos foi afastado do grupo durante o Paulista-99.

Carpegiani chegou a afirmar que não trabalharia mais com o zagueiro. Mas por causa de pressões da diretoria do São Paulo -que temia uma desvalorização do passe do atleta-, Márcio Santos foi reintegrado.

Pelo menos, o período de reserva será hoje muito valioso para o zagueiro, já que nesta época enfrentou Dodô em muitos treinos no São Paulo.

“Quando estava na reserva, enfrentei o Dodô algumas vezes e pude perceber como é difícil marcá-lo. É um atacante rápido, que gosta de fazer muitas tabelas. Ainda tem a vantagem de jogar com o Aristizábal, que ele conhece bem”, afirmou.

“O Dodô é imprevisível. Por isso tem que ser marcado bem de perto. Se você descuida e dá espaço, ele é capaz de parar dentro do gol”, completou.

Já o zagueiro Wilson, outro componente do sistema defensivo da equipe, não dá muita importância ao fato de enfrentar um ex-companheiro. “Dentro de campo, eu procuro fazer o meu trabalho e esquecer o resto. Para mim, ele (Dodô) é um jogador normal.”