Atlético-PR 3 x 0 Santos

Data: 14/08/1999, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 4ª rodada
Local: Arena da Baixada, em Curitiba, PR.
Público: 19.816
Renda: R$ 284.632,00
Árbitro: Antônio Pereira da Silva (GO).
Cartões amarelos: Gustavo, Flávio, Vanin e Reginaldo (A); Claudiomiro (S).
Gols: Lucas (33-1); Vanin (40-2) e Kelly (47-2).

ATLÉTICO-PR
Flávio; Alberto, Reginaldo, Gustavo e Vanin; Clóvis, Axel, Adriano e Kelly; Lucas e Kleber (Clóvis Cruz).
Técnico: Osvaldo Alvarez

SANTOS
Zetti; Michel, Jean, Andrei e Gustavo Nery; Élson (Caíco), Claudiomiro, Narciso e Lúcio (Rodrigão); Dodô e Paulo Rink.
Técnico: Emerson Leão



Derrota aumenta a crise no Santos

Tática de explorar jogadas aéreas fracassa, time perde por 3 a 0 para Atlético-PR e Leão culpa atletas

A estratégia de Emerson Leão de colocar o Santos com três volantes e dois atacantes fixos e explorar as jogadas aéreas -a média de altura de seus meio-campistas era de 1,84 m- não deu certo.

Ontem, em Curitiba, o Santos jogou mal, especialmente no primeiro tempo, e perdeu para o Atlético-PR por 3 a 0, na primeira vitória da equipe paranaense contra os santistas na história do Campeonato Brasileiro.

Com o resultado, o time de Leão perdeu a oportunidade de ocupar a liderança do torneio, já que o Corinthians, que está em primeiro lugar, não joga neste fim-de-semana pelo Brasileiro.

O Santos continua com sete pontos, dois a menos do que os corintianos. Com a vitória, o Atlético-PR também chegou aos sete pontos.

A derrota santista aumenta o clima de tensão no clube, já que Leão tem reclamado muito do time e da diretoria, que não contrata reforços.

No primeiro tempo, os paranaenses, que vinham explorando as jogadas rápidas no ataque, abriram o marcador aos 32min, após bela troca de passes entre Kléber e Lucas. O segundo, depois de um toque de calcanhar de seu companheiro de ataque, chutou com força e marcou o primeiro gol do time da casa.

Sete minutos depois, o Santos quase empatou. O lateral Gustavo cruzou para Dodô, mas, quando o atacante ia marcar, o goleiro Flávio interceptou a jogada.

No minuto seguinte, o lateral Vanin chutou de fora da área, Zetti espalmou e, no rebote, o próprio Vanin marcou o segundo gol atleticano.
Aos 42min, Dodô chutou com perigo de fora da área, mas Flávio conseguiu fazer a defesa.

No intervalo, irritado, o técnico do Santos atribuiu a derrota -até então por 2 a 0- às falhas individuais de seus jogadores.

“”O erro individual é que muda a figura”, afirmou, insinuando que a responsabilidade pelo fracasso não era de seu esquema de jogo, mas da dificuldade que seus comandados tiveram para fazer as jogadas aéreas.

Para o segundo tempo, irritado com a pífia atuação de seu meio-campo, Leão tirou o capitão Élson, o mais alto, com 1,90 m, colocou Caíco em seu lugar e desistiu das jogadas aéreas.

No segundo tempo, o jogo ficou tenso, especialmente depois que o zagueiro Andrei fez falta dura em Gustavo. Em seguida, Narciso e Reginaldo trocaram empurrões, mas ninguém foi advertido pela arbitragem.

O time de Leão lançou-se ao ataque desesperadamente, mas suas maiores chances de gol eram os chutes de Andrei, de longa distância.

No final, já nos descontos, o Atlético-PR, que aproveitava bem os buracos abertos na defesa santista, aumentou.

Em jogada iniciada pelo atacante Lucas, destaque da partida, o meia Kelly, que também teve boa atuação, fez o terceiro gol do time da casa.

Técnico volta a pedir reforço

O técnico Emerson Leão voltou a cobrar da diretoria do Santos reforços para o Brasileiro. “Ficou evidente que nós não temos um lançador. Está demorando uma contratação”, reclamou.

Ele nega, porém, que haja desentendimento com a diretoria e que só não largou o time porque teria de pagar uma multa contratual. “Se você tivesse um problema conjugal, você mataria sua esposa para se ver livre desse problema? Não é por aí”, disse o treinador, que criticou a atuação de Narciso.





Santos usa “gigantes” em Curitiba (Em 14/08/1999)

Equipe enfrenta hoje o Atlético-PR apostando na altura de seus atletas para ganhar a partida no jogo aéreo

O Santos vai adotar um novo esquema tático hoje para enfrentar o Atlético-PR, às 16h, em Curitiba. O time entrará com três volantes e dois atacantes fixos.

O técnico Emerson Leão afirmou que a mudança tática foi introduzida para aproveitar a alta estatura dos jogadores de meio-campo para explorar de cabeça os cruzamentos na área adversária, principalmente nos lances de bola parada -faltas e escanteios.

A média de altura dos jogadores de meio-campo é de 1,84 m. O capitão Élson é o mais alto, com 1,90m. Narciso e Paulo Rink, que hoje vai atuar mais recuado, têm 1,84m e Claudiomiro é o mais baixo, com 1,80m. Nos lances de bola parada, o quarteto recebe o auxílio dos zagueiros Jean (1,85m) e Andrei (1,83m).

Nos três coletivos da semana, Leão treinou à exaustão dois tipos de jogadas: bola parada e saída rápida nos contra-ataques puxados por Lúcio.

Dodô será o centroavante à moda antiga, com a incumbência de posicionar-se entre os zagueiros adversários. “Gostei do que vi no treino. Disse que ia mudar o Santos e mudei”, declarou Leão, que reclamou da falta de reforços durante a semana.

“O Narciso encontrou-se novamente e isso é bom. Ele estava rabugento. Conversei com ele e acabei com isso”, disse o treinador, que espera uma partida muito disputada.

“O adversário é favorito, porque tem bons jogadores e joga bem em casa, com o apoio da torcida. Mas o Santos sabe reverter situações e tem obtido bons resultados fora”, afirmou Leão, que comandou o Atlético-PR em 96, quando eliminou o Santos da Copa do Brasil daquele ano. “O Atlético mudou muito, tem outro estilo de jogo, não dá para comparar”, declarou.

O meia Adriano, do Atlético-PR, terá marcação especial. “É um jogador habilidoso, a bola passa sempre pelos seus pés”, disse Élson. “Mas todo o Atlético-PR preocupa. O importante é termos tranquilidade, saber administrar, que eles vão querer se impor no começo.”

“No toque de bola e com rapidez nos contra-ataques iremos conseguir o nosso objetivo”, declarou o volante.

O Santos, que está na segunda colocação do Brasileiro-99 com sete pontos ganhos em três jogos, terá mais duas novidades, só que na reserva -o goleiro Nei e o meia-atacante Adiel.

Nei fica pela segunda vez consecutiva como opção para o lugar de Zetti. Leão disse que não parou o rodízio entre os goleiros reservas. “Ocorre que o Nando está sem contrato e o Fernando ficou quatro vezes seguidas no banco (nos jogos da excursão à Europa). É a vez do Nei.”

O meia Adiel estava havia 10 meses fora do elenco devido a uma fratura por estresse na perna direita e tendinite no joelho direito. “Puxa vida, nem acredito. Parece que estou iniciando hoje a carreira”, disse Adiel, que ontem completou 19 anos.

Avô não vai torcer por Paulo Rink

O atacante Paulo Rink, que é de Curitiba, terá o apoio da família no jogo de hoje. Ou melhor, de quase toda a família.

O avô Ciro, 67, é torcedor fanático do Atlético-PR e já avisou o neto que está muito velho para mudar de clube.

“Quando eu era criancinha, ele costumava me presentear com bolas de futebol com o distintivo do Atlético. Desconfio que hoje ele torcerá por um empate. Fica bom para o time do coração e para o neto”, brinca Paulo Rink.

“O pessoal lá de casa alugou um camarote. Toda minha família vai estar lá”, conta o atacante, que jogou por 10 anos no Atlético-PR.

“Saí em 97, quando eles venderam meu passe para o Bayer Leverkusen da Alemanha”, lembra Paulo Rink, que rendeu ao clube US$ 7 milhões.

Sobre a partida de hoje, o jogador acredita que vence quem tiver melhor aplicação tática. “É um jogo parelho, com respeito mútuo. O Atlético, quando joga em casa, não tem outra alternativa a não ser atacar, a torcida empurra.”

Por isso, Paulo Rink quer ver o Santos cauteloso, preocupado primeiro com a defesa, depois com o ataque.

“Temos que jogar com inteligência, dando a responsabilidade ao adversário. A tática do Leão é correta ao reforçar o meio-campo, contendo o ímpeto inicial do Atlético. Com certeza vamos impor nosso ritmo e fazer com que a torcida passe a ser nossa aliada”, afirmou o jogador.

Atlético-PR quer maior “identificação”

O Atlético-PR enfrenta o Santos no seu novo estádio, a Arena da Baixada, em Curitiba (PR), buscando uma maior identificação com a sua torcida.

“Se mantivermos um padrão de identificação entre os jogadores e a torcida seremos uma equipe difícil de ser batida aqui na Baixada”, afirmou o técnico do Atlético-PR, Oswaldo Alvarez.

O treinador disse que, para vencer hoje, o Atlético-PR terá que ter “marcação forte, movimentação constante e tranquilidade”. Ele repete praticamente o mesmo time que empatou em 2 a 2 com o Palmeiras no Parque Antarctica, domingo passado.

A única dúvida era em relação ao zagueiro Reginaldo, que machucou o joelho direito durante a semana. Se ele não se recuperar, joga Fabiano.