São Paulo 1 x 3 Santos

Data: 23/08/1998, domingo, 17h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 7ª rodada
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 20.988 pagantes
Renda: R$ 209.442,00
Árbitro: Sidrack Marinho dos Santos (SE).
Cartões amarelos: Zé Carlos, Bordon, Márcio Santos, Edmílson, França, Marcelinho Paraíba e Dodô (SP); Ânderson Lima, Argel e Athirson (S).
Cartão vermelho: Capitão (14-2, SP)
Gols: Dodô (04-2), Lúcio (13-2), Jorginho (24-2) e Athirson (48-2).

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Zé Carlos (Gallo), Bordon, Márcio Santos e Serginho; Capitão, Fabiano, Edmílson e Souza (Dodô); Marcelinho Paraíba (Reinaldo) e França.
Técnico: Nelsinho Baptista

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Jean e Athirson; Claudiomiro, Narciso, Jorginho (Baiano) e Lúcio; Viola e Aristizábal (Adiel).
Técnico: Emerson Leão



Santos vence de virada e vai à liderança

São Paulo sofre 4ª derrota consecutiva no Brasileiro, enquanto santistas quebram tabu ganhando por 3 a 1

O Santos derrotou o São Paulo por 3 a 1, de virada, ontem à tarde no estádio do Morumbi, e assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro, ao lado do Corinthians, com 17 pontos, ambos invictos.

Foi a quarta derrota consecutiva do São Paulo no Brasileiro e a quinta incluindo a Copa Mercosul, em que o time do técnico Nelsinho Batista foi goleado por 5 a 1 pelo Cruzeiro na última quinta.

Com o resultado, o Santos conseguiu quebrar um tabu do Morumbi, onde não vencia os são-paulinos havia sete anos e meio. Nesse período, incluindo a partida de ontem, os dois times se enfrentaram 11 vezes, com 7 vitórias do São Paulo e 3 empates. A última vitória santista no Morumbi tinha sido em 16 de fevereiro de 1991, por 2 a 1.

O jogo de ontem foi o quinto clássico entre São Paulo e Santos em menos de sete meses, igualando o número de confrontos entre São Paulo e Palmeiras este ano. O Santos não enfrentou nenhuma outra equipe tantas vezes em 98.

O jogo

O São Paulo iniciou a partida mostrando maior ofensividade. A equipe levava perigo principalmente em jogadas aéreas, insistindo nos lançamentos para a área adversária, e com bola parada.

O meia Souza, em cobrança de falta, teve chance de abrir o placar aos 3min e aos 14min.

O Santos criou sua primeira oportunidade aos 22min, graças a uma reposição de bola rápida do goleiro Zetti. O meia Jorginho tabelou com Lúcio, que cruzou para o ex-são-paulino Aristizábal. Ele soube aproveitar a falha da defesa adversária, mas chutou para fora.

A partir daí, a partida passou a ser mais equilibrada e o Santos conseguiu chegar mais ao ataque.

Aos 27min, após uma falta do lateral são-paulino Zé Carlos em Lúcio, à esquerda da linha lateral da grande área, o Santos criou mais uma chance. O lateral Ânderson bateu fechado e a defesa do São Paulo conseguiu tirar a bola perto da linha do gol.

No último minuto do primeiro tempo, Rogério, com uma grande defesa, impediu o gol santista.

O técnico Nelsinho Batista substituiu o meia Souza pelo atacante Dodô para ter um time mais ofensivo no segundo tempo. E deu certo. Logo aos 4min, em cruzamento do atacante França no meio da defesa santista, Dodô se antecipou ao lateral Ânderson e deu um toque sutil na saída de Zetti para fazer o seu quarto gol neste campeonato. Ele é o artilheiro da equipe são-paulina.

Nove minutos depois, quando o São Paulo continuava tomando a iniciativa de jogo, o Santos conseguiu o empate em uma falha de Zé Carlos, que acompanhava Lúcio em contra-ataque.

Livre do lateral e de frente para o gol, Lúcio não teve dificuldade em tocar a bola por cobertura, na saída do goleiro Rogério.

Em seguida, aos 15min, o São Paulo perdeu um de seus jogadores, o volante Capitão, que já tinha recebido cartão amarelo no primeiro tempo e foi expulso ao cometer nova falta violenta.

Mesmo assim, a equipe ainda tentou reagir. O meia Edmílson teve chance de colocar o São Paulo à frente aos 19min. Zetti defendeu.

O gol de virada do Santos foi aos 24min. Adiel, que havia entrado para substituir Aristizábal, recebeu a bola nas costas de Zé Carlos e, vendo Jorginho bem colocado, cruzou para o meia marcar.

O São Paulo conseguiu melhorar a marcação no meio-campo com a substituição de Zé Carlos por Gallo, deslocando Edmílson para a lateral, e teve nova oportunidade aos 28min, com chute de França.

Já nos descontos, em contra-ataque, o Santos surpreendeu mais uma vez em tabela de Narciso para Athirson, que fez o terceiro gol santista e fechou o placar.

Leão comemora poder de reação do time

O técnico Emerson Leão comemorou o poder de reação do time santista, que ontem venceu de virada o São Paulo por 3 a 1. Para ele, o time está mostrando maturidade ao conseguir reverter resultados adversos.

“Quando tomamos o gol, fiquei tranquilo. Vi os jogadores calmos, um aconselhando o outro. Não estamos tendo pressa para vencer. Isso mostra que o time está ficando maduro. Cada um sabe sua função e a está executando muito bem”.

Ontem não foi a primeira vez que o Santos reagiu em um momento difícil. No meio de semana, também pelo Campeonato Brasileiro, o Santos perdia por 4 a 1 para o Atlético-MG até os 30min do segundo tempo. Em 15 minutos, o time conseguiu empatar o jogo e ainda quase venceu.

Time excursiona após clássico

O Santos deixa o Morumbi e segue diretamente para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), de onde embarca para a Europa para disputar dois amistosos.

Os adversários serão o Barcelona (Espanha), na terça, e a Roma (Itália), na quinta. Ao retornar, os jogadores vão para a concentração, para se prepararem para o jogo de domingo, pelo Brasileiro, contra o Inter, na Vila Belmiro.

O técnico Leão disse considerar positiva a excursão, apesar de obrigar o time a disputar quatro partidas em oito dias.

Nelsinho refuta saída

O tradicional coro “ão, ão, segunda divisão” se somou ontem ao “Fica Nelsinho e afunda esse timinho” na torcida santista ao final do jogo de ontem.
Por seu lado, o técnico são-paulino, Nelsinho Batista, ameaçado de ser demitido pela quinta derrota consecutiva, permaneceu uma hora depois da partida falando com jogadores e dirigentes.

Manoel Poço, diretor de futebol do clube, garantiu que “o contrato do treinador está em vigência até o final do ano e não há pressão”, mas que depois foi mais evasivo: “acho que ele será mantido”.

Apesar da situação, Nelsinho saiu sorridente do vestiário.

Pergunta – O que foi conversado com a diretoria nos vestiários depois desta quinta derrota?
Nelsinho – Foi uma conversa normal. A única coisa que não falamos foi em demissão. Pessoalmente, não falo sobre isso. Falo que devemos trabalhar e dar tranquilidade aos jogadores. De qualquer forma, sobre demissão, é melhor perguntar para os dirigentes.

Pergunta – É a pior situação profissional?
Nelsinho – Sim. Não me lembro de ter dirigido um time que tenha perdido tantos jogos seguidos. Mas já estou acostumado a momentos difíceis. Isso ocorre sempre na vida de um técnico. Mas não adianta ficar abatido, vamos trabalhar.

Pergunta – Qual é a explicação para essa fase?
Nelsinho – Estamos cometendo muitos erros, e isso está gerando os gols dos rivais. Hoje, tomamos dois gols em falhas nossas. Foram erros em saída de bola e na cobertura da defesa.

Pergunta – Como você analisa a derrota?
Nelsinho – O primeiro tempo foi dominado pelo Santos, mas no intervalo mexi na equipe, e ela voltou melhor no segundo tempo. Fizemos o gol, mas não suportamos a pressão posterior do Santos. Na hora em que tínhamos de manter a posse de bola no ataque, o time começou a tocar muito na defesa e errar na saída ao ataque.

Auto-análise é pedida para os derrotados

Diretores conversando em rodinhas, jogadores abatidos declarando “não há nada para falar” e torcedores gritando em coro “queremos diretor, queremos diretor”. Esse era o cenário do vestiário são-paulino após a partida.

Apesar das declarações negando, segue mais forte a possibilidade de o treinador Nelsinho cair. O jogo de quarta-feira contra o América-RN é decisivo para a conclusão da situação. Mas as coisas pioram: o zagueiro Bordon e o atacante França saíram sentindo dores e podem não jogar a partida.

Segundo os atletas, o técnico são-paulino pediu para que cada um fizesse uma “auto-análise”.

Motivos não faltaram para isso. Tirando o volante Edmílson, os jogadores são-paulinos não se apresentaram bem, principalmente os meias Souza e Fabiano e o goleiro Rogério.



Créditos:
Fonte: Jornal Folha de SP – http://acervo.folha.uol.com.br/fsp/1998/08/24/20//648711