Santos 3 x 0 São Paulo

Data: 09/09/2015, quarta-feira, 22h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 24ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.552 pagantes
Renda: R$ 342.290,00
Árbitro: Luiz Flavio de Oliveira (SP)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho e Miguel Cataneo Ribeiro da Costa (ambos de SP).
Cartões amarelos: Thiago Maia (S) e Wesley (SP).
Gols: David Braz (31-1) e Rafael Longuine (42-1); Ricardo Oliveira (07-2).

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato, Marquinhos Gabriel e Rafael Longuine (Serginho); Gabriel (Marquinhos) e Ricardo Oliveira (Nilson).
Técnico: Dorival Júnior

SÃO PAULO
Renan Ribeiro; Bruno, Lyanco, Edson Silva e Reinaldo; Thiago Mendes, Hudson (Wesley) e Ganso; Wilder (Michel Bastos), Alexandre Pato (Centurión) e Rogério.
Técnico: Juan Carlos Osorio



Santos atropela o São Paulo na Vila, mantém embalo e encosta no G4

Está difícil parar o Santos de Dorival Júnior. No clássico desta quarta-feira, a vítima da vez foi o São Paulo. Com autoridade, o Peixe venceu por 3 a 0 e encostou de vez no G4 do Campeonato Brasileiro.

A nona vitória seguida na Vila Belmiro, que se soma ao 13º jogo de invencibilidade do Alvinegro praiano, deixou a equipe com 37 pontos, provisoriamente em sexto lugar na tabela de classificação. Já o Tricolor do Morumbi voltará para a capital na quarta colocação, com 38 pontos, à frente do Atlético-PR apenas em função do critério de desempate. Ambos ainda terão de torcer contra o Flamengo nesta quinta-feira. A vitória santista também mantém o tabu de não perder um San-São em casa desde 2009.

Sem Lucas Lima e Geuvânio, Dorival Júnior resolveu apostar em Rafael Longuine pelo segundo jogo consecutivo. Já Juan Carlos Osorio mais uma vez surpreendeu ao anunciar a escalação do time. Michel Bastos começou no banco de reservas, e Rogério foi mantido entre os titulares.

A ideia era pressionar a saída de bola santista, e o São Paulo até conseguiu dificultar as ações do Peixe por algum tempo, mas não o suficiente. Rapidamente, o time da casa se encontrou em campo e passou a dominar o jogo. Logo no primeiro tempo, David Braz abriu o placar de cabeça, após cobrança de falta de Zeca. E, antes de descer para o vestiário, o Santos aproveitou a falha de Reinaldo na saída de bola e ampliou a vantagem com Rafael Longuine.

Osorio tentou arrumar o time no intervalo, colocando Michel Bastos e Wesley nas vagas de Hudson e Wilder, respectivamente. Mas a postura em campo pouco mudou e, logo no início do segundo tempo o Peixe marcou o terceiro com Ricardo Oliveira, que só escorou cruzamento de Victor Ferraz.

Agora, com a possibilidade de chegar ao G4 na próxima rodada, a 25ª, o Santos visitará a Ponte Preta no domingo, no Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, às 11 horas. No mesmo dia, o São Paulo tentará reagir às 16 horas, mas a parada será mais complicada: contra o Grêmio, em Porto Alegre, na Arena do Grêmio.

O jogo

O primeiro tempo do clássico da Vila Belmiro teve momentos distintos, principalmente em função da mudança de postura dos visitantes. O Santos, como era de se esperar, iniciou o jogo tomando a iniciativa. O São Paulo, porém, para tentar evitar que a bola chegasse com facilidade aos atacantes do Peixe, apostou em uma marcação alta, com Wilder, Pato e Rogério pressionando os zagueiros alvinegros.

A princípio, a atitude do Tricolor paulista deu certo. O Santos teve mais dificuldades do que normal para colocar em prática o seu jogo. Porém, com a bola no pé, o time de Osorio não conseguia ser perigoso.

Com o passar do tempo, a equipe de Dorival Júnior foi se encaixando e a marcação são-paulina afrouxando. Assim, as chances de gol começaram a aparecer. A primeira veio aos 16 minutos, quando Gabriel dominou na área e rolou para Rafael Longuine bater. Mas Renan defendeu com segurança.

Aos 28, de novo o Peixe chegou com muita velocidade. Marquinhos Gabriel lançou Ricardo Oliveira na esquerda. O camisa 9 mandou de primeira para a área, e Thiago Maia, infiltrando como homem-surpresa, furou na hora de bater, para a sorte da arbitragem, que nada marcou, mesmo com o volante em posição irregular.

De tanto pressionar, o Santos conseguiu o seu gol aos 31. Zeca cobrou falta na área, e David Braz resvalou de cabeça, mandando a bola no ângulo cruzado de Renan: 1 a 0.

O São Paulo assustou apenas aos 37, quando Pato cruzou e Rogério cabeceou bem. Vanderlei, então, fez bonita defesa. Mas o Tricolor sentiu o gol tomado e passou a errar muitos passes na saída de bola.

E, em um vacilo desses, Reinaldo perdeu a bola para Renato perto da área e só pôde assistir Gabriel enfiar para Rafael Longuine, que bateu sem chances para o goleiro são-paulino: 2 a 0 em um clássico totalmente dominado pelo Santos na primeira etapa.

O técnico colombiano do São Paulo tentou arrumar a sua equipe na segunda etapa com as entradas de Wesley e Michel Bastos. Hudson e Wilder foram sacados. Mas a noite era mesmo do Peixe, que seguiu em busca de mais gols e logo aos sete minutos ampliou a sua vantagem no placar para 3 a 0.

A jogada foi feita por Renato e Victor Ferraz. Depois do cruzamento na área, Ricardo Oliveira mandou de primeira para o fundo do gol de Renan e chegou ao seu 16º na temporada.

Dessa forma, se o São Paulo pretendia se lançar em busca de uma reação, o gol serviu como balde de água fria. O Tricolor sentiu demais a desvantagem e passou a jogar para não ser goleado.

Por outro lado, com tranquilidade, o Santos tocava a bola e chegava com perigo, principalmente pelas infiltrações de seus laterais. Gabriel quase marcou o seu gol aos 15 minutos, assim como Marquinhos Gabriel, que assustou Renan em chute de fora da área.

Passada a metade da etapa final, Dorival já começou a pensar na sequência da competição e sacou Gabriel, Rafael Longuine e Ricardo Oliveira antes dos 35 minutos. Marquinhos, Serginho e Nilson foram para o jogo. Pelo Tricolor, Centurión ainda entrou na vaga de Pato, que pouco produziu nesta quarta-feira.

O lance mais perigoso antes do apito final foi um chute de Michel Bastos, que, apesar de colocar bela curva na bola, acertou o travessão. E o clássico chegou ao fim com a bela vitória santista por 3 a 0 na Vila Belmiro.

Bastidores – Santos TV:

Foco e gols no começo determinaram a vitória, dizem santistas

O clássico desta quarta-feira, na Vila Belmiro, acabou sendo mais fácil do que até muitos santistas esperavam. A vitória por 3 a 0 manteve o embalo do Peixe no Campeonato Brasileiro e deixou a posição do São Paulo dentro do G4 sob ameaça. Após a partida, os próprios jogadores do Peixe admitiram que quando fizeram 2 a 0, ainda no primeiro tempo, o jogo já estava praticamente definido.

“Matamos o jogo rapidamente e, no segundo tempo, esperamos eles para fazer mais um gol”, contou Gabriel, que não balançou as redes, mas fez um bom jogo e ainda falou sobre essa boa fase do time na temporada.

“É difícil falar, mas a nossa mentalidade e determinação mudou. Faltava o algo a mais, e hoje fizemos isso. Ficamos pertinho do G4, mas tem que ter pé no chão. Sempre lutamos por isso, por G4, chegar perto dos líderes. É continuar assim para ficar perto da Libertadores”, comentou.

Rafael Longuine, que venceu a concorrência de Neto Berola e Leandro e mais uma vez foi escalado como titular, falou sobre a postura da equipe antes mesmo de entrar campo.

“Sabíamos da importância do clássico, desse jogo. Frisamos bem isso antes. Agora o importante é que vencemos bem, convencemos e chegamos perto do nosso objetivo. É focar ainda mais para chegar lá em cima”, disse o autor do segundo gol santista.

David Braz protagonizou nesta quarta apenas o terceiro gol de cabeça do Peixe no Brasileiro. Após a vitória em cima do Tricolor, o zagueiro era só alegria e até brincou com seu objetivo particular de superar a marca de gols do ano passado.

“O último gol foi contra o Figueirense, na estreia do Dorival. Fui cobrado pela irmã, amigos, pela patroa. Ainda não acabou a temporada. Ano passado terminei com seis, agora tenho cinco (gols). O mais importante é ajudar o Santos a conquistar os seus objetivos”, disse, aos risos, antes de voltar a falar sério e já focar no duelo contra a Ponte Preta, domingo, às 11 horas, em Campinas.

“A competição é difícil. Nunca sabemos o que pode acontecer. Temos que manter o foco. A Ponte agora vai se reunir para conseguir um resultado contra nós e temos que estar atentos para conseguir os três pontos”, finalizou.

Dorival ressalta superação física e se derrete em elogios ao time

O Santos não tomou conhecimento do São Paulo nesta quarta-feira. Diante de seu torcedor, na Vila Belmiro, o Peixe passeou. Venceu por 3 a 0 de forma soberana e ficou a um ponto do G4 no Campeonato Brasileiro. Tudo isso rendeu incontáveis elogios de Dorival Júnior ao elenco, após a partida.

“Também fiquei muito satisfeito com o que vi. Viemos de uma maratona. Jogamos quinta contra o Sport. Ilha do Retiro é um campo que exige. Chegamos sábado às 22h30. Viajamos o dia todo. Chegamos às 17h30 na segunda. Eles fizeram trabalho de recuperação. Para vocês verem o que eles estão se doando em campo. É digno de elogio”, disse o treinador, que agora tem nove vitórias em nove jogos na Vila e uma invencibilidade que 13 partidas, somando os duelos pela Copa do Brasil.

“Fico muito satisfeito de estar ao lado desse grupo. O que já fizeram na competição, preenche qualquer condição que possamos ter. Vamos sempre tentar buscar mais. Há entrega em busca de resultados. Trabalham como se cada rodada fosse a última. Jogamos com dinamismo, sem frescura, um toque na bola, entrega na marcação. Vimos três, quatro jogadores em caça de um do São Paulo. Espero que continue”, completou.

Mas, apesar de toda a empolgação com a bela atuação santista nesta quarta, Dorival Júnior não quer saber de acomodação. O comandante reconhece o esforço de um time que não pôde contar com Lucas Lima e Geuvânio, dois de seus principais jogadores, mas cobra a manutenção da postura nesta reta final da temporada.

“Tem que continuar melhorando sempre. Não podemos nos dar por satisfeito. A maneira como temos jogado. O mesmo níve em todas as partidas. Raros os momentos que não mantiveram a postura. Mas o campeonato está só na 24ª rodada. Tem 38. Vamos pensar igual estamos. Alcançar regularidade é importante. Manutenção também”, avisou.

Dorival não sabe se “nasceu para o Santos” e admite prazer especial

Dorival Júnior viveu o melhor momento de sua carreira justamente no Santos, em 2010, quando comandou uma equipe que enchia os olhos de qualquer amante do futebol. Com Neymar, Ganso e Robinho, o técnico conquistou um Paulista e uma Copa do Brasil, antes de deixar o clube de forma conturbada. Agora, em 2015, o treinador retorna em baixa, depois de trabalhos sem sucesso por Palmeiras, Vasco, Fluminense e Flamengo. Além disso, pega a equipe dentro da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Porém, a reação que o torcedor tanto sonhava, mas parecia impossível, aconteceu sob a batuta de Dorival Júnior. Em 15 jogos, o treinador levou o Peixe a 11 vitórias, três empates e foi derrotado apenas uma vez. Assim, colocou o time da Vila Belmiro na briga pelo G4 e nas quartas de final da Copa do Brasil. Questionado se nasceu para trabalhar no Santos Futebol Clube, o treinador riu e ficou sem jeito, mas admitiu que há algo especial na Baixada Santista.

“Não sei. Difícil a gente falar algo. Eu me sinto bem aqui dentro. É a sequência de um trabalho interrompido. Fico contente pelos primeiros resultados, ainda que não tenha sido nada. As conquistas complementam. O que me dá prazer é ver o time jogando bem, como foi da outra vez (em 2010). Foi complementado pelas conquistas que tivemos”, comentou, antes de ressaltar sua principal semelhança com o torcedor santista: o DNA ofensivo.

“Esse trabalho que me dá prazer. Atingimos objetivos, importantes, mas não preenche tanto quanto isso (jogar bem). São jogadores que superam desconfianças. Precisamos pensar seriamente nisso (calendário). Não é porque ganha que não se pode salientar isso. Mas dá prazer ver o Santos jogando com confiança. Nesse caminho, esperamos levar eles, e que o prazer esteja vivo na memória santista”, explicou.

A vitória por 3 a 0 em cima do São Paulo nesta quarta-feira deixou o treinador empolgado com a perspectiva de sua equipe para a temporada, que começa a chegar em sua reta final, mas não o fez desmerecer o trabalho de Marcelo Fernandes e Serginho Chulapa, que levou o Peixe ao título do Campeonato Paulista, mas enfrentaram um longo jejum de vitórias no Brasileiro. Dorival deixa claro que ninguém pode ter certeza de que as coisas seriam diferente, caso ele tivesse chego mais cedo.

“Ninguém pode afirmar isso. Todo time passa por um momento. Poderia ter sido comigo. Tudo vai acontecer no momento certo. O Santos está encontrando o caminho. Não podemos descartar e tirar o valor do trabalho iniciado, foi o que nos deu essa possibilidade de se recuperar. O início não foi bom, tivemos jogadores fora, Marcelo (Fernandes) penou com a equipe. Estamos encontrando o caminho”, avisou.

Dorival perde Thiago Maia, mas vê resposta do grupo nas adversidades

O volante Thiago Maia levou seu terceiro cartão amarelo contra o São Paulo e não enfrenta a Ponte Preta, neste domingo, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para o seu lugar, Dorival Júnior ainda decidiu quem deve ficar com a vaga.

“Ainda não pensei. Temos Paulo (Ricardo), Lucas (Otávio), Serginho, Cittadini. O Leandro (o volante) está machucado. Vamos pensar na possibilidade. Temos que começar a ter atenção redobrada em razão dessa sequência”, explicou o comadante santista, antes de enaltecer o empenho dos atletas que têm entrado na equipe de acordo com as necessidades.

“Esses garotos vão tendo chance aos poucos. Ainda assim o rendimento está sendo mantido. É um ponto muito bom. Esse ambiente de trabalho faz com que tudo isso aconteça”, contou.

A prova disso é que nesta quarta, sem contar com Lucas Lima e Geuvânio, Dorival viu alguns ‘coadjuvantes’ se destacarem na vitória em cima do Tricolor paulista, na Vila Belmiro. Rafael Longuine, escolhido para a vaga do Caveirinha, marcou o segundo gol do Peixe no clássico. “O grupo nosso é forte, vem trabalhando. Temos um respeito grande aos que estão jogando. Aquele que entra está dando conta do recado e, graças a Deus, pude ajudar com um gol”, disse o meia.

Nos outros dois gols, marcados por David Braz e Ricardo Oliveira, as assistências vieram dos laterais Zeca e Victor Ferraz, respectivamente. E também renderam o reconhecimento do treinador.“É elogiável. Uma regularidade muito grande. O Victor me impressiona. O Zeca, a cada momento. A equipe cresce muito com o apoio. Poucas equipes jogam contra o Santos pelos lados. É um fator que completa esse mecanismo. Vamos ver se vamos manter essa posutra. Só assim vamos crescer”, afirmou Dorival.

Para o duelo contra o Macaca, o técnico mais uma vez terá de repensar a escalação da equipe. Isso porque Lucas Lima volta da Seleção Brasileira e Marquinhos Gabriel tem correspondido muito bem. Por isso, além da entrada de um jogador no lugar de Thiago Maia, é provável que Dorival saque Rafael Longuine do time.

Para não sair da Vila, treinador pede que torcida compareça em peso}

Apenas 5.552 torcedores foram à Vila Belmiro para apoiar o Santos no clássico contra o São Paulo, na noite da última quarta-feira. O pequeno público gerou uma receita de R$ 342.290,00. E o torcedor pode dizer que tem bons motivos para comparecer em maior número no estádio Urbano Caldeira. Desde que Dorival Júnior assumiu a equipe, o time conquistou 100% dos pontos que disputou em casa, com nove vitórias em nove jogos e, em cima disso, o técnico faz um apelo.

“A Vila é fundamental. Todos sabem o que representa. Precisamos de retorno do público mais ao lado. Tudo que queriam era ver o Santos brigar por vitórias. Não temos mais desculpas. Que o público cacife a ideia de ficar aqui dentro”, disse Dorival.

A preocupação do comandante santista se dá por causa da recorrente ideia da diretoria alvinegra em levar jogos para a Capital Paulista, mais especificamente para o estádio do Pacaembu. Dorival e o elenco já deixaram claro que são contra o plano, que tem o intuito exclusivo de arrecadar mais verba com a bilheteria e levar mais pessoas ao estádio.

“Jogar em casa assim é natural. Os melhores resultados vêm em casa. O percentual de aproveitamento é grande. O Santos se sente muito bem aqui dentro (da Vila). O calor da torcida leva a garotada junta. Para passarmos para a diretoria de jogar aqui dentro com a lotação máxima, o torcedor precisa dar essa resposta”, reiterou a cobrança, Dorival.

E esta batalha interna, pelo menos na Copa do Brasil, o treinador já perdeu. Mesmo contrariando o desejo da comissão técnica, o presidente Modesto Roma Jr. decidiu levar a segunda e decisiva partida contra o Figueirense, pelas quartas de final, para o estádio do Pacaembu, que tem capacidade para aproximadamente 40 mil torcedores.