São Paulo 4 x 2 Santos

Data: 04/02/2001, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 3ª rodada
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 14.149
Renda: Não divulgada
Árbitro: Cléber Wellington Abade e Antônio Cláudio Perin.
Cartões amarelos: Harison e Alexandre (SP); Russo e Rodrigão (S).
Cartão vermelho: Fabiano (SP)
Gols: Dodô (12-1) e Reginaldo (14-1); Kaká (29-2), Renatinho (35-2), Dodô (43-2) e Gustavo Nery (45-2).

SÃO PAULO
Rogério; Wilson, Rogério Pinheiro e Reginaldo (Jean); Alexandre, Fabiano, Reginaldo Araújo, Gustavo Nery e Harison (Kaká); Renatinho e Ilan (Oliveira).
Técnico: Oswaldo Alvarez

SANTOS
Fábio Costa; Marcelo Silva, Galván e Pereira; Russo (Caíco), Claudiomiro, Renato (Deivid), Robert e Léo; Dodô e Rodrigão (Júlio César).
Técnico: Geninho



Quarteto júnior derruba o invicto Santos

Juniores são paulinos brilham e, de virada, tiram a invencibilidade da equipe santista na temporada 2001

O São Paulo adotou o esquema tático do Santos e, com dez jogadores, quatro deles vindos do time de juniores, venceu ontem no Morumbi, por 4 a 2, pelo Paulista, o rival, que ainda não havia perdido em 2001. Com o resultado, o São Paulo chegou a seis pontos no torneio -o Santos, que estava invicto no Paulista, segue com seis.

Os técnicos Oswaldo Alvarez e Geninho empregaram ontem o 3-5-2, sistema de jogo que mantém três zagueiros, e seus times fizeram um jogo movimentado. Desde o início do jogo, ambas as equipes buscaram o ataque em velocidade, com os laterais atuando adiantados. Também deixavam espaços na defesa, o que fez os goleiros Rogério e Fábio Costa serem muito exigidos.

No quarto minuto de jogo, após um cruzamento do lateral Reginaldo Araújo, Claudiomiro quase tocou para as próprias redes. Em seguida, o são-paulino Fabiano experimentou dois chutes, mas não finalizou bem.

Chegando com facilidade à área rival, o Santos teve boa chance aos 8min, mas Dodô desperdiçou a jogada. Quatro minutos mais tarde, porém, após um escanteio, o time santista abriria o marcador. Claudiomiro escorou de cabeça, e Dodô, na cara de Rogério, tocou no canto esquerdo do goleiro.

O São Paulo igualou o placar dois minutos depois. Também após um escanteio, com o zagueiro Reginaldo tocando no canto direito de Fábio Costa.

Trocando passes com rapidez no meio-campo, especialmente com atletas do time de juniores (Renatinho e Harison), o São Paulo passou a dominar o jogo. Depois Harison desperdiçar uma boa chance, aos 22min, após outro escanteio, Reginaldo quase marcou novamente de cabeça.

Aos 28min, Harison obrigou Fábio Costa a fazer difícil defesa. Após o são-paulino receber pela direita e chutar forte, o goleiro santista espalmou para escanteio. Rogério também teve que salvar o São Paulo em jogada de Robert, que recebeu da direita e tocou para o gol quase da pequena área. Após defesa parcial do goleiro, Wilson aliviou o perigo.

O segundo tempo começou também em ritmo veloz. Logo no segundo minuto, Renatinho serviu bem Harison, que bateu forte por cima do travessão. Em seguida, após contra-ataque, Robert já chutava contra o gol de Rogério com perigo.

O jogo seguiu aberto e com os times dividindo as ações até o meia Fabiano ser expulso por jogo violento (já tinha recebido cartão amarelo na etapa inicial).

A saída de Fabiano impulsionou o Santos. Aos 15min, Rodrigão chutou colocado, mas a bola raspou a trave e saiu. O time santista chegava com frequência à linha de fundo, mas falhava nos cruzamentos. O São Paulo, com três zagueiros, se fechou mais e explorou contra-ataques com Renatinho e outros dois juniores, Oliveira e Cacá, que entraram no segundo tempo.

Aos 25min, após jogada de Cacá, Oliveira perdeu boa chance, chutando de esquerda para fora. Aos 29min, porém, Oliveira serviu Cacá, que pegou de primeira para virar o marcador.

O Santos, que já pressionava, foi ainda com mais vontade ao ataque. Aos 34min, Deivid chutou duas vezes com perigo.

Mas, em um contra-ataque rápido, Renatinho driblou Léo e chutou cruzado para ampliar o marcador para o São Paulo.

O Santos perdeu várias chances até diminuir o placar aos 43min, com um chute forte de Dodô. Dois minutos depois, porém, Renatinho puxou outro contra-ataque e tocou para Gustavo Nery, que marcou na saída de Fábio Costa, fechando o marcador.

Geninho reclama de preciosismo

O técnico do Santos, Geninho, disse que uma das principais razões da derrota de ontem para o São Paulo, a primeira do time do litoral no Campeonato Paulista, foi o excesso de preciosismo.

“Quando o jogo estava 1 a 1, por exemplo, tivemos várias chances de ganhar antes do São Paulo, mas não aproveitamos. O excesso de preciosismo foi um dos muitos erros da equipe”, declarou.

Para o técnico, o preciosismo aumentou quando o São Paulo teve o meia Fabiano expulso e o Santos passou a ter um a mais.

“Quando ficamos em vantagem no número de jogadores, o time relaxou, e o São Paulo se aproveitou.” Geninho ainda citou o meia Robert como um exemplo de jogador que não foi objetivo. “O Robert toca demais a bola, nas jogadas ensaiadas principalmente.”

O atacante Dodô, que marcou os dois gols santistas, concordou com o técnico. Ele afirmou que “o time ficou achando que ganharia quando quisesse.”

“Quando o São Paulo ficou com um a menos, achamos que o jogo já estava ganho”, disse.

Já o goleiro Fábio Costa citou outro fator para a derrota. De acordo com ele, a mudança no modo de atuar da equipe pesou. “Hoje, o Santos mudou sua maneira de jogar. Vínhamos nos dando bem com toques rápidos e passamos a tocar para o lado, de maneira improdutiva.”

Apesar da derrota, Geninho não pretende efetuar mudanças na equipe. “Mexer no time cada vez que perdemos cria uma instabilidade.”

Novos Menudos dividem a glória com mais velhos

Os jovens são-paulinos decidiram o clássico de ontem, mas procuraram, em suas declarações, dividir a vitória com os jogadores mais experientes do grupo. “Nós, que chegamos dos juniores, não ganhamos o jogo sozinhos. Se não fosse os jogadores experientes, não teríamos suportado a pressão do Santos”, disse o atacante Renatinho.

O jogador, maior ídolo do time que ganhou a Copa São Paulo de juniores em 2000 e que foi vice-campeão em 2001, disse que seu gol deve-se em grande parte à força dada por Rogério Pinheiro. “No intervalo, ele disse para eu fazer o que fazia no time júnior. Foi o que eu fiz. Driblei, não lembro quem, e fiz o gol”, disse Renatinho.

Já o meia Cacá foi o atleta que proporcionou, de fato, a vitória são-paulina. Entrou no segundo tempo e comandou o time na saída para o ataque -Harison, outro júnior, saiu machucado. “Quem entra no segundo tempo, tem que decidir. Foi o que tentei fazer”, afirmou.

Cacá, 19, quase foi obrigado a abandonar o futebol devido a uma queda sofrida em um parque aquático no ano passado (ele bateu a cabeça no fundo da piscina e teve grave fratura vertebral). Elegante em campo, o jogador já ganha comparações com Raí, assim como o jovem time são-paulino despertou associações com os “Menudos do Morumbi”, apelido da equipe que venceu o Paulista de 1985. “Comparações com ídolos, como o Raí, são legais. Mas quero ser o Cacá”, disse.

O técnico Oswaldo Alvarez disse ter apostado no entrosamento dos garotos no segundo tempo. “Quando coloquei o Oliveira, pensei nisso”, afirmou ele.



Fonte: http://acervo.folha.com.br/fsp/2001/02/05/20//9529