Santos 3 x 0 Corinthians

Data: 13/02/2005, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – Turno único – 7ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 18.712 pagantes
Renda: R$ 298.930,00
Árbitro: Edílson Pereira de Carvalho.
Auxiliares: Ana Paula da Silva Oliveira e Maria Eliza Correia Barbosa.
Cartões amarelos: Betão e Marinho (C).
Gols: Léo (07-1); Robinho (01-2) e Robinho (10-2).

SANTOS
Mauro; Paulo César, Domingos, Ávalos (Halisson) e Léo; Fabinho, Tcheco (Flávio), Bóvio e Basílio (Rossini); Robinho e Deivid.
Técnico: Oswaldo de Oliveira

CORINTHIANS
Fábio Costa; Edson (Marcelo Mattos), Ânderson, Betão e Fininho (Renato); Wendell, Rosinei, Dinélson (Marinho) e Gil; Jô e Tevez.
Técnico: Tite



Robinho dá show e Santos atropela Corinthians

No clássico em que ambas as equipes buscavam o equilíbrio no Campeonato Paulista, o que houve foi um evidente desequilíbrio. Comandado por Robinho, que marcou dois gols, o Santos bateu o arqui-rival Corinthians por 3 a 0, na tarde deste domingo, na Vila Belmiro, e voltou à vice-liderança, agora com 17 pontos, dois a menos do que o líder São Paulo.

Com a derrota, a terceira do alvinegro do Parque São Jorge na competição, o clube encerrou uma ótima sequência de quatro vitórias consecutivas. O Corinthians segue com pontos e pode perder posições ao final desta rodada.

Além de terem de assistir ao show de Robinho, os corintianos não conseguiram acabar com um tabu indesejável. A equipe não vence o rival Santos há três anos. Agora são dez confrontos, com oito vitórias dos santistas e dois empates.

Na partida desta tarde, enquanto o time do técnico Oswaldo de Oliveira mostrou uma grande força ofensiva, a equipe de Tite bateu cabeça na defesa e teve pouca criatividade. Tanto que o goleiro Mauro pouco foi acionado.

Na próxima rodada do Campeonato Paulista, o Santos enfrenta o Ituano, no estádio Novelli Junior, em Itu, às 18h. O Corinthians, por sua vez, encara o Paulista, no Jaime Cintra, em Jundiaí, às 16h. Ambas as partidas serão no domingo, dia 20.

Antes disso, porém, os alvinegros têm duelos por outras competições. O time da Vila Belmiro encara o Bolívar-BOL, fora de casa, na quarta-feira, pela primeira rodada da Copa Libertadores da América. No mesmo dia, só que no Pacembu, o clube do Parque São Jorge recebe o Sampaio Correa, pela partida de volta da fase inicial da Copa do Brasil.

Robinho x Tevez
Um abraço amigável antes do começo do clássico marcou o início do duelo entre Robinho e Tevez. Durante a semana, o confronto entres os dois craques ganhou enorme destaque nas manchetes dos jornais. De um lado, o principal jogador brasileiro atuando no país e do outro o galáctico argentino, que foi contratado a preço de ouro.

Com a bola rolando, porém, aquele gesto simpático que antecedeu o apito do árbitro foi encoberto pela histórica rivalidade entre Santos e Corinthians. Melhor para o torcedor, que viu um primeiro tempo eletrizante. Mais para o atacante do time da Vila Belmiro.

Robinho foi determinante para a vitória parcial do time santista. Além de dar uma assistência perfeita para Léo marcar o gol, o atacante deu sete dribles, seis passes certos, foi acionado 16 vezes e deu duas finalizações na etapa inicial. O único ponto negativo foram três passes errados.

Enquanto isso, Tevez, o jogador do Corinthians que mais se movimentou no primeiro tempo, recebeu a bola dez vezes, deu apenas dois dribles, três passes certos e finalizou apenas uma vez.

Na etapa complementar, o santista simplesmente deu uma goleada no seu “rival” argentino. E não foram precisos muitos minutos para que isso fosse sacramentado: em dez minutos, Robinho marcou dois belos gols e garantiu a vitória do Santos.

Com moral, o atacante do time da Vila Belmiro passou a desfilar seu futebol com muito mais desenvoltura. Tanto que até o final da partida ele foi acionado 13 vezes, deu mais seis finalizações e sete passes certos.

Apagado, o corintiano Tevez tentou ajudar o seu time, mas a deficiência técnica dos seus companheiros não permitiu uma reação. Carlitos, como é conhecido na Argentina, finalizou apenas uma vez na etapa final e recebeu a bola só em seis oportunidades.

O jogo
Com a Vila Belmiro lotada, Santos e Corinthians começaram o clássico em ritmo alucinante. Tocando bastante (e rápido) a bola, ambas as equipes conseguiram chegar à área adversária, mas a forte marcação das defesas evitou as finalizações.

Este panorama, porém, durou apenas até os 5min. Depois disso, a equipe da Baixada Santista passou a dominar as ações do jogo e logo chegou ao primeiro gol. Aos 7min, o atacante Robinho gingou na frente de Edson e lançou para Léo, que se infiltrou na área pela esquerda e chutou por entre as pernas do goleiro Fábio Costa.

O clube do Parque São Jorge sentiu o gol sofrido e começou a errar muitos passes, além de dar mais espaço para que o rival criasse suas jogadas. O time de Tite conseguiu sua primeira finalização apenas aos 12min, quando Dinélson tocou para o lateral Fininho, que chutou de fora da área e obrigou Mauro a espalmar para escanteio.

Um minuto depois, o alvinegro da Vila respondeu com Robinho. O jogador recebeu bom cruzamento de Basílio da esquerda, subiu mais do que os zagueiros e cabeceou à direita do goleiro corintiano.

E foi o próprio Fábio Costa que salvou o Corinthians de levar o segundo gol aos 15min. O volante Fabinho recebeu a bola na entrada da área e soltou uma bomba. Atento, o camisa 1 da equipe da capital fez excelente defesa.

Aos poucos, o Santos diminuiu seu ímpeto ofensivo, enquanto o Corinthians, mal em campo, não conseguiu melhorar a criação de jogadas e parou no bloqueio do rival.

A equipe do técnico Oswaldo de Oliveira voltou a levar perigo aos 34min, quando Paulo César cruzou para o atacante Deivid, que cabeceou por cima do gol.

Sentindo que sua equipe estava com problemas de marcação, o técnico Tite sacou o meia Dinélson e colocou o zagueiro Marinho, voltando a atuar no 3-5-2, preterido na última partida, contra o Rio Branco.

Três minutos depois, o Corinthians perdeu uma excelente oportunidade de empatar a partida. O argentino Tevez recebeu a bola na área, girou em cima de um zagueiro e cruzou para Gil. O atacante, sem marcação, chutou em cima do goleiro Mauro.

O lance, no entanto, empolgou o alvinegro do Parque São Jorge. Aos 38min, Tevez driblou Domingos e chutou. Mauro defendeu. No rebote, o atacante Jô soltou uma bomba e o camisa 1 do Santos fez mais uma boa defesa.

No segundo tempo, ambas as equipes voltaram com a mesma formação que terminaram a etapa inicial. Em desvantagem no placar, o Corinthians foi logo para cima, mas sofreu um contra-ataque fulminante.

A 1min, Deivid recebeu belo lançamento de Paulo César e ajeitou para Robinho, que entrou na área pelo meio da zaga adversária e chutou na saída do goleiro Fábio Costa, que nada pôde fazer.

Os santistas ainda comemoravam o segundo gol quando o goleiro Mauro foi atingido por uma pedra, que foi atirada pela torcida rival, posicionada atrás do gol defendido pelo camisa 1 do Santos no primeiro tempo.

Após 5min de paralisação, o Santos voltou com força total e ampliou. Aos 10min, o atacante Robinho fez uma linda tabela com Paulo César, passou por Betão e marcou seu segundo gol no jogo.

Em situação complicada, o técnico Tite sacou o lateral-esquerdo Fininho e colocou Renato. Um fato curioso aconteceu no momento da substituição: o substituído teve seu nome gritado pela torcida do Santos. O motivo: ele perdeu a bola no lance do terceiro gol do time da Vila Belmiro.

Com ampla vantagem no placar, o Santos manteve sua superioridade durante o resto da partida, enquanto o Corinthians tentou, sem sucesso algum, reagir e evitar um vexame maior.

Corinthians vê o outro Robinho

Atacante marca 2 vezes, confirma novo faro artilheiro, coloca Tevez no bolso e alonga a série invicta de 4 anos do Santos contra o maior rival

Um Robinho habilidoso incomoda. Um Robinho artilheiro incomoda muito mais. É assim a relação do Corinthians contra seu grande carrasco no século.

Com dois gols de seu principal astro, o Santos venceu o maior rival por 3 a 0, na Vila Belmiro -que teve lotação total-, e segue no encalço do líder São Paulo no Campeonato Paulista-05.

O resultado, que acabou com a fase ascendente corintiana e a do argentino Tevez, foi mais uma prova que Robinho é hoje muito mais do que o driblador atacante revelado há quase três anos.

E pouca gente conhece essa nova realidade tão bem como o Corinthians. Nas sete vezes anteriores em que havia enfrentado o rival (em partidas que fazem parte de uma série de dez partidas sem vitórias corintianas), Robinho havia atormentado os corintianos com dribles desconcertantes e assistências precisas, mas havia marcado só dois gols.

Ontem, ele aliou os dribles e as assistências de sempre (fez uma que resultou no gol de Léo, o primeiro do Santos) com o apurado faro goleador que tomou conta da sua carreira desde o ano passado.

Em 2005, depois dos dois gols de ontem, ele tem a fantástica média de um tento marcado por partida, mais do que o dobro da média geral da sua trajetória profissional até o final de 2004.

O novo Robinho, que também marcou pela seleção na semana passada em amistoso contra Hong Kong, agora disputa a artilharia -no Campeonato Paulista ele tem seis gols, ou só um a menos dos líderes na tábua de goleadores.

O jogo de ontem pode ter sido um dos últimos de Robinho contra o Corinthians. A diretoria santista nega, mas o Real Madrid já dá sua contratação como certa. Ele deve seguir para a Espanha assim que o Santos encerrar sua participação na Taça Libertadores da América.

A vitória de ontem foi a de placar mais elástico na série invicta do Santos contra o Corinthians, que ficou estacionado nos 12 pontos e caiu para a sétima posição na classificação do Paulista.