Corinthians 2 x 3 Santos

Data: 21/04/1996, domingo, 15h45.
Competição: Campeonato Paulista – 2º turno – 5ª rodada
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 25.329 pagantes
Renda: R$ 240.460,00
Árbitro: João Paulo Araújo (SP).
Cartões amarelos: Ronaldo, Silvinho, Bernardo, Marcelinho Souza e Marcelinho Carioca (C); Edinho, Narciso e Jamelli (S).
Cartões vermelhos: Zé Elias (C) e Vágner (S).
Gols: Giovanni (41-1) e Edmundo (42-1); Macedo (06-2), Giovanni (26-2) e Marcelinho Carioca (40-2).

CORINTHIANS
Ronaldo; Carlos Roberto, Alexandre Lopes, Henrique e Silvinho (Marcelinho Souza); Bernardo, Zé Elias, Marcelinho Carioca e Souza; Edmundo e Leonardo (Tupãzinho).
Técnico: Eduardo Amorim

SANTOS
Edinho; Cláudio, Sandro, Narciso e Marcos Adriano; Gallo, Baiano, Vágner e Jamelli (Ronaldo Marconato); Macedo e Giovanni (Robert).
Técnico: Orlando Amarelo



Santos é dominado, mas vence clássico tumultuado

Mesmo sendo dominado durante a maior parte da partida, o Santos venceu o Corinthians por 3 a 2, ontem, no Pacaembu. O jogo foi tumultuado, com duas expulsões, um gol irregular e reclamações dos corintianos contra o árbitro João Paulo Araújo.

O Corinthians dominou completamente o primeiro tempo e perdeu, pelo menos, sete chances.

Revoltada, a torcida do Santos chegou a chamar o técnico Orlando Pereira de “burro”.

Mas aos 41min, na primeira vez que foi ao ataque com perigo, o Santos fez seu gol. Vágner cruzou para Giovanni marcar de cabeça.

O Corinthians empatou em seguida, com Edmundo, após belo passe de Marcelinho.

No segundo tempo, logo aos 6min, o Santos fez o segundo gol.

Alexandre Lopes falhou e Giovanni passou para Macedo, que, em posição irregular, tocou para as redes, na saída de Ronaldo.

O gol descontrolou o Corinthians. Zé Elias foi expulso aos 9min, por ter agredido Macedo.

Aos 26min, o Santos marcou o terceiro. Vágner entrou pela direita e tocou para Giovanni fazer.

O Corinthians descontou aos 40min, em uma cobrança de falta de Marcelinho, que desviou na barreira e enganou Edinho.

Em seguida, o santista Vágner foi expulso.

Santos despacha Corinthians e favorece Palmeiras

Equipe derrota Corinthians por 3 a 2; Palmeiras goleia Juventus e agora lidera sozinho

O Santos conseguiu ontem sua primeira vitória em clássicos no Paulista-96 ao superar o Corinthians por 3 a 2, no Pacaembu. Com a vitória, chegou aos dez pontos na classificação.

O resultado acabou sendo favorável ao Palmeiras, que goleou o Juventus, em Jundiaí, por 5 a 1, e assumiu a liderança isolada, com 15 pontos.

O time dirigido por Wanderley Luxemburgo foi favorecido também pela derrota do São Paulo para o América, anteontem, por 3 a 1.

Os vice-líderes da competição passaram a ser São Paulo e Botafogo, com 12 pontos cada. O Araçatuba, com 11, é o quarto colocado.

Com a derrota no clássico de ontem, o Corinthians caiu para a sexta colocação, com 9 pontos, um a menos do que o Santos. O próximo jogo do Palmeiras será domingo, em Presidente Prudente, contra o São Paulo.

O Santos enfrenta a Ferroviária domingo, na Vila Belmiro. O Corinthians, o Guarani, sábado.

A repercussão

Apesar da vitória, obtida com dois gols de Giovanni e um de Macedo, anotado em posição irregular, os santistas mostraram-se realistas.

“Continuamos tendo que torcer para os outros”, disse o goleiro Edinho. “Quando enfrentarmos o Palmeiras, espero que o campeonato ainda não tenha acabado.”

O clássico contra o Palmeiras está marcado para a penúltima rodada. Se o Palmeiras, vencedor do primeiro turno, ganhar também o segundo, será automaticamente proclamado campeão.

Alguns jogadores do Corinthians encararam a derrota como a eliminação do time no campeonato.

“Ganhar o Paulista seria apenas mais um título, não acrescentaria nada”, afirmou Edmundo, autor do primeiro gol corintiano. O segundo foi de Marcelinho.

Para o atacante, “o que vale é ganhar a Libertadores, que pode nos dar projeção internacional.”

A arbitragem

Os corintianos responsabilizaram o juiz João Paulo Araújo pelo resultado de ontem.

O mais irritado era o goleiro Ronaldo. “Se eu for falar o que achei da arbitragem, vou pegar mais de um ano de suspensão”, afirmou.

O técnico Eduardo Amorim não quis dar declarações. “Não perguntem nada, porque não estou ouvindo”, declarou, ao deixar o gramado, tapando os ouvidos.

“Além do segundo gol do Santos, que parecia impedido, ele errou ao não expulsar o Narciso”, reclamou o volante Bernardo, referindo-se a duas falta do zagueiro santista em Edmundo.

O atacante corintiano, porém, preferiu inocentar o árbitro. “Eu gosto do João Paulo e não tenho nada a comentar sobre arbitragem”, disse Edmundo.

Para técnico santista, classificação ‘é muito difícil’

O técnico do Santos, Orlando Pereira, ficou satisfeito com o desempenho do time, mas acha que as chances de classificação ainda são remotas.

“Ainda estamos com a corda no pescoço, correndo atrás do Palmeiras. Cada jogo é uma decisão para o Santos”, afirmou.

Pereira disse que o novo esquema tático do time, com dois meias defensivos (Gallo e Baiano), foi aprovado.

“Jogamos ofensivamente contra São Paulo e Portuguesa. Perdemos um jogo e empatamos outro. Por isso, resolvi armar a equipe num esquema mais cauteloso e deu resultado.”

Segundo Pereira, “o Santos foi mal no primeiro tempo porque não encarou a partida como uma decisão”.

“Merecemos a vitória. O Corinthians pressionou, mas, no futebol, a justiça é a bola na rede”, afirmou o goleiro Edinho.

O Santos volta a jogar pelo Paulista no próximo domingo, contra a Ferroviária, última colocada, na Vila Belmiro.

O time não terá o goleiro Edinho e os meias Jamelli e Vágner, todos suspensos.

Time ainda não pagou ‘bichos’

A diretoria do Santos ainda não pagou nenhum “bicho” (prêmio por vitória) para os jogadores neste Campeonato Paulista. A informação é de um atleta do clube, que pediu para não ser identificado.

Segundo José Paulo Fernandes, diretor de futebol, os prêmios só não foram pagos porque a equipe ficou abaixo da quinta colocação no primeiro turno do Paulista.

“Antes do campeonato, combinamos que os bichos seriam pagos de acordo com a colocação da equipe. Isso já estava previsto. Mas, depois, os jogadores fizeram um apelo e resolvemos pagar os prêmios da primeira fase. Isso deve ser feito ainda nesta semana”, afirmou Fernandes.

O Santos faria uma espécie de pré-temporada nesta semana em Águas de Lindóia (170 km ao norte de São Paulo), mas os jogadores pediram para ficar em Santos até o jogo contra a Ferroviária, no próximo domingo, na Vila Belmiro.

“Não tem problema. Vamos trabalhar duro, treinando em dois períodos, até sexta-feira, na Vila”, afirmou o técnico Orlando Pereira.

Giovanni joga gripado

O meia-atacante Giovanni, 24, mais uma vez, foi o principal destaque do Santos. Mesmo com uma forte gripe, marcou dois gols e deu o passe para Macedo fazer o segundo da equipe.

“Tive febre na véspera da partida. Joguei com dores no corpo e sentindo moleza. Mas eu precisava ajudar o Santos”, afirmou.

Repórter – Você jogou na base do “sacrifício”?
Giovanni – Estou fortemente gripado e só joguei contra o Corinthians porque era uma partida decisiva para o Santos. Se fosse contra um time pequeno, não entraria em campo.

Repórter – Você entende que, mesmo gripado, atuou melhor em relação aos jogos contra São Paulo e Portuguesa?
Giovanni – Sim. Contra o Corinthians, não recebi uma marcação tão cerrada.

Repórter – Como você analisa o desempenho do Santos?
Giovanni – No primeiro tempo, estivemos perdidos na marcação. No segundo, reagimos e tivemos um aproveitamento de 100% nas finalizações.

Repórter – Você ainda acredita na classificação?
Giovanni – Sei que é difícil o Palmeiras tropeçar. Mas temos que ter esperança. Assim, no confronto direto, podemos derrotá-los.



Equipes fazem duelo ‘defesa-ataque’ ( Em 21/04/1996 )

A defesa do Santos terá o desafio de enfrentar hoje o ataque titular do Corinthians, responsável por 30 dos 44 gols da equipe no Campeonato Paulista.

Apesar de só terem participado juntos de 4 dos 19 jogos do time no Paulista, anotando 7 gols, o entrosamento de Marcelinho, Edmundo e Leonardo tem sido a principal arma do Corinthians na Copa do Brasil e na Taça Libertadores.

“O Leonardo foi uma excelente contratação”, afirmou o técnico Eduardo Amorim, que espera a chegada de mais um atacante para reforçar o time durante a semana.

“Com mais um atacante, daria para poupar um pouco o trio”, justificou.

Os três participaram dos seis jogos da equipe na Libertadores, a principal competição que o Corinthians disputa em 96.

O Santos, por sua vez, apresenta a quinta pior defesa entre os 16 participantes do Paulista. Até a quarta rodada do segundo turno, a equipe já sofreu 44 gols, média de 1,8 por partida.

“O problema é que estamos sofrendo gols de forma muito parecida”, lamentou o técnico Orlando Pereira. “Não estamos aprendendo com os nossos erros.”

Os santistas foram instruídos para evitar faltas perto da área, devido às cobranças de Marcelinho.

O reencontro

A partida no Pacaembu terá frente a frente o zagueiro Sandro e o atacante Edmundo.

No primeiro turno, quando os dois times se enfrentaram na Vila Belmiro, Edmundo foi expulso após agredir o santista.

“Com o Edmundo, você tem de tomar cuidado, se não ele te pega”, disse Sandro, que afirmou não guardar ressentimentos do atacante corintiano.

Marcelinho, que marcou um lindo gol em jogada individual no clássico do primeiro turno, espera repetir o feito no Pacaembu.

“Daquela partida guardo ótimas recordações”, afirmou. “Se repetir o gol, maravilha, mas, se não conseguir, tudo bem. O que importa é vencer.”

Santos pode mudar estilo para vencer desatenção

Inconformado com a desatenção quando a equipe precisa se defender, o técnico do Santos, Orlando Pereira, pensa em adotar um esquema com reforço na marcação.

“Não podemos tomar gols como estamos tomando. Não poderemos continuar errando fundamentos de marcação”, disse.

Ontem Pereira treinaria o time com dois meias defensivos, Gallo e Baiano, na equipe.

“Não gosto de jogar com dois volantes, mas se for preciso não vou abrir mão do recurso. Queremos ser como o Palmeiras, mas, para isso, precisamos ter pegada”, declarou o treinador.

Wanderley Luxemburgo, do Palmeiras, foi o último treinador com quem Pereira trabalhou quando era jogador, no Americano.

Para o zagueiro Sandro, não é essencial a entrada de um defensor.

“Todos têm de marcar, para que a equipe fique mais compacta. Caso contrário, eu marco um, o Narciso, outro, e dois ficam livres.”

O lateral-esquerdo Marcos Adriano tem uma solução mais simples. “Tem que haver maior cobrança entre os jogadores. Precisamos gritar mais para ficarmos alertas.”



Fonte: Estadão