São Paulo 2 x 1 Santos

Data: 25/08/1996, domingo, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – Turno único – 3ª rodada
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 9.520 pagantes
Renda: R$ 90.600,00
Árbitro: João Paulo Araújo (SP)
Cartões amarelos: Serginho, André, Belletti, Pedro Luiz e Axel (SP); Marcos Adriano, Élder e Marcos Assunção (S)
Gols: Ânderson Lima (05-2), Muller (11-2) e Serginho (32-2).

SÃO PAULO
Zetti; Belletti (Sandoval), Pedro Luiz, Bordon e Serginho; Axel, Edmílson, André (Fábio Mello) e Denílson; Aristizábal e Muller.
Técnico: Carlos Alberto Parreira

SANTOS
Edinho; Ânderson Lima, Sandro, Narciso (Jean) e Serginho; Marcos Assunção, Piá, Élder e Robert; Camanducaia e Jamelli.
Técnico: José Teixeira



São Paulo vence de virada e é o líder

Jean, substituto de Narciso, que deixou o jogo para ir à seleção, cometeu o pênalti que decidiu o placar

O São Paulo venceu ontem o Santos por 2 a 1 e assumiu a co-liderança do Campeonato Brasileiro, com dez pontos, ao lado do Juventude, mas um jogo a menos.

O lateral Ânderson abriu o placar, de falta, e Muller e Serginho, de pênalti, viraram o marcador.

Com a derrota, o Santos continua com quatro pontos e está ameaçado de ficar com um ponto negativo se for mesmo punido pela escalação de Usuriaga, contra o Fluminense, na quinta-feira. O colombiano não jogou ontem.

No primeiro tempo, os dois times repetiram os erros dos jogos anteriores. O São Paulo jogava quase somente pela esquerda, onde André, Denílson, Muller e Serginho se embolavam.

No Santos, por seu lado, os meias insistiam em jogadas individuais, em que foram sempre desarmados.

Nas poucas chances de gol, os chutes quase sempre foram para fora, como o do meia santista Piá, aos 27min, e do são-paulino Edmílson, aos 32min.

No segundo tempo, os dois times passaram a jogar com mais velocidade, e saíram os gols. A entrada de Fábio Mello no lugar de André, que se integrou à seleção, equilibrou o São Paulo.

Mas, aos 5min, o Santos fez 1 a 0. O lateral-direito Ânderson bateu falta na frente de área e mandou a bola no canto esquerdo, além do alcance de Zetti.

Com o gol, o Santos se animou e passou a dominar o meio-campo. Fez três ataques perigosos, mas, aos 11min, após cobrança de escanteio, Muller empatou.

Aos 31min, o zagueiro Jean, que entrara três minutos para que Narciso pudesse se juntar à seleção, fez pênalti em Serginho. O próprio lateral bateu e desempatou.

O São Paulo ainda teve chance de fazer outros gols, principalmente com Denílson.



Escalação de Usuriaga é um dilema para o Santos ( Em 25/08/1996 )

O Santos pode desafiar novamente a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e escalar o atacante colombiano Usuriaga hoje.

A entidade anunciou que deverá punir o clube nesta semana com a perda de cinco pontos pela utilização do jogador, de forma irregular, na partida da última quinta-feira, contra o Fluminense.

Se Usuriaga enfrentar o São Paulo, o Santos corre o risco de perder mais cinco pontos.

A transferência do jogador para o Santos é contestada pelo Independiente, da Argentina, dono do passe do atleta.

A escalação de Usuriaga na partida de hoje não foi confirmada oficialmente, mas a diretoria e o técnico José Teixeira deram indícios de que ele entrará em campo.

A diretoria informou que não recebeu nenhum comunicado oficial da CBF informando que o jogador está em situação irregular e promete recorrer à Justiça Desportiva caso o clube sofra punição.

O volante Carlinhos, suspenso, desfalca o time e deve ser substituído por Hélder. Jamelli retorna, e a dúvida do treinador é Piá ou Camanducaia no ataque.

Piá evita as comparações

Reginaldo Revelino Jandoso, o Piá, 22, dois brincos na orelha esquerda e cabelos pintados de vermelho, chegou ao Santos credenciado como a maior revelação da Série A-2 do Paulista.

Elogiado pelo técnico José Teixeira, ele só não quer comparações com o antecessor Giovanni, que está agora no Barcelona.

Repórter – Você joga na mesmo posição de Giovanni, maior ídolo do Santos nos últimos anos. Dá para se sentir à vontade?
Piá – Vejo isso pelo lado positivo. Acho que é gratificante cumprir o papel que era de um jogador de muita competência como ele.

Repórter – Seu estilo tem alguma semelhança com o do Giovanni?
Piá – Eu procuro deixar de lado a comparação. Estou acostumado a jogar assim e não pretendo mudar. Se é igual ao estilo do Giovanni, não vem ao caso.

Repórter – Você já se considera titular?
Piá – É cedo ainda para pensar nisso. Estou fazendo o possível para ganhar a confiança do técnico.

Repórter – Aponte seus defeitos e qualidades.
Piá – Tenho dificuldade em chutar com a esquerda. Minha característica sempre foi a velocidade, o drible e o arranque.