Santos 1 x 2 São Paulo

Data: 03/02/1996, sábado, 21h30.
Competição: Campeonato Paulista – 1º turno – 3ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 12.984 pagantes
Renda: R$ 134.980,00
Árbitro: Lincoln Afonso Bicalho
Cartões amarelos: Gallo, Vágner, Jamelli e Giovanni (S); Pedro Luiz, Gilmar, Sorlei, Donizete, Edmílson e Almir (SP).
Cartões vermelhos: Narciso (S) e Guilherme (SP).
Gols: Giovanni (27-1, de pênalti), Guilherme (32-1) e Almir (35-1).

SANTOS
Edinho; Cláudio (Camanducaia), Sandro, Narciso e Marcos Adriano; Gallo, Vágner, Robert (Marcelo Passos) e Giovanni; Kennedy (Ronaldo) e Jamelli.
Técnico: Candinho

SÃO PAULO
Zetti; Gilmar, Pedro Luiz e Sorlei; Edinho, Donizete, Guilherme, Edmílson e Sandoval (Marquinhos Capixaba); Almir (Denílson) e Valdir.
Técnico: Muricy Ramalho



Muricy reivindica favoritismo ao São Paulo

A vitória de 2 a 1 sobre o Santos, anteontem à noite, na Vila Belmiro, fez o técnico interino do São Paulo, Muricy Ramalho, reivindicar o mesmo favoritismo atribuído a Palmeiras, Corinthians e ao próprio Santos no Paulista.

“É preciso respeitar o São Paulo, um time bicampeão mundial. Não podem ficar falando que somos a quarta ou quinta força do Paulista”, disse Muricy, logo após o jogo.

No vestiário, mais calmo, o técnico mudou o discurso. “Ainda somos a quinta força do campeonato, porque o time está em formação. Mas vamos brigar muito.”

Muricy teve que refazer seu plano tático antes da partida, pois André, que entraria no meio-campo, sentiu-se mal no hotel. O técnico, então, optou pela entrada de um terceiro zagueiro, Gilmar, em vez do meia Denílson.

Para Muricy, a escolha se revelou acertada. “O Santos não conseguiu penetrar pelo meio. Eles tiveram que ir pelos lados -como queríamos, para aproveitar o espaço nas costas dos laterais.” Foi por esses espaços que, usando a velocidade de Valdir e Almir, o São Paulo criou as melhores chances, inclusive seus dois gols.

No primeiro, o meio-campista Edmílson fez um lançamento para o lateral-esquerdo Guilherme, que recebeu a bola atrás do lateral santista Cláudio, invadiu a área e marcou com um chute forte.

No segundo, Valdir recebeu livre pela ponta direita e cruzou para a entrada rápida de Almir, que bateu forte e rasteiro.

O Santos abrira o placar num pênalti inexistente de Gilmar sobre Giovanni, cobrado pelo próprio meia-atacante santista.

A não ser na primeira metade do primeiro tempo, quando a defesa são-paulina ainda não tinha se acertado e dava algum espaço, o Santos pouco ameaçou.

Mesmo após a substituição de Valdir por André, devido à expulsão de Guilherme, o São Paulo manteve o domínio tático do jogo.

Time quer reforçar o ataque

O atacante Jamelli, que se apresenta hoje na seleção brasileira que disputará o Pré-olímpico da Argentina, resumiu a derrota santista, anteontem, na Vila Belmiro, com um velho chavão do futebol. “Quem não faz, toma”, afirmou.

Para ocupar a vaga deixada por Jamelli, a diretoria espera anunciar hoje as contratações dos atacantes Clóvis (ex-Corinthians) e Leonardo (Sport). O atacante Marcelo Passos pode ser emprestado para o Botafogo-RJ.

Para a maioria dos atletas, a chuva, o campo “pesado” e o pouco tempo de preparação para o Campeonato Paulista foram os motivos que fizeram a equipe perder para o São Paulo.

Poucos foram os jogadores santistas que viram méritos no São Paulo pela vitória. O meia-defensivo Gallo elogiou o sistema defensivo do adversário. “Jogamos no ataque e eles nos contra-ataques rápidos. Mérito para a defesa do São Paulo que soube se fechar e segurar o resultado”, disse o capitão do Santos.

O zagueiro Ronaldo, que substituiu o africano Kennedy, devido à expulsão de Narciso, culpou o gramado da Vila pela derrota.

Narciso irrita Candinho

O técnico Candinho se mostrou irritado anteontem, após a derrota para o São Paulo, com o zagueiro Narciso. “Uma expulsão dessas atrapalha qualquer treinador”, afirmou. Leia a seguir trechos da entrevista.

Repórter – Porque o Santos não vem conseguindo repetir as boas apresentações do Campeonato Brasileiro?
Candinho – Justamente pelo fato de ter chegado às finais do torneio e ter tido pouco tempo de preparação. No Brasil, time que chega às finais de um campeonato acaba, em razão do calendário, prejudicado.

Repórter – Você não acha que o Santos está muito dependente de uma boa atuação de Giovanni?
Candinho – Não. Aliás, não foi só o Giovanni que apresentou um futebol abaixo do esperado. Todos os jogadores estão lentos.

Repórter – O que determinou a derrota?
Candinho – Falhas individuais e a expulsão de Narciso, que cometeu uma falta desnecessária.

Repórter – Mas ele não vinha treinando e renovou seu contrato pouco antes do jogo. Não seria melhor manter o Ronaldo?
Candinho – Como eu ia adivinhar que um jogador de seleção fosse dar uma voadora e ser expulso? Uma expulsão dessas atrapalha qualquer treinador.



Santos ataca com laterais para derrotar o São Paulo ( Em 03/02/1996 )

O Santos aposta nos laterais Marcos Adriano e Cláudio para vencer o clássico de hoje, às 21h30 na Vila Belmiro, contra o São Paulo, pelo Paulista.

O lateral-direito Cláudio faz a sua estréia justamente contra o seu ex-clube. Mas é pelo lado esquerdo do campo que o técnico Candinho deposita as maiores esperanças de uma vitória santista. Por esse setor, o Santos volta a ter a dupla Marcos Adriano/Robert, um dos destaques na conquista do vice-campeonato brasileiro do ano passado.

Os dois prometem “infernizar” a defesa do São Paulo. “Essa dupla tem cheiro de gol”, afirmou Robert. Marcos Adriano atua hoje, pela primeira vez no Paulista, na sua posição de origem. Ele vinha jogando improvisado na lateral-direita.

Robert, por sua vez, retomou a condição de titular, substituindo o africano Kennedy.

Com a presença desses jogadores nas suas posições originais, Candinho diz acreditar que o Santos possa compensar as prováveis ausências de Carlinhos e Narciso.

O meia Carlinhos foi operado anteontem no joelho direito e ficará 30 dias em recuperação.

O zagueiro Narciso chegou a um acordo com a diretoria para renovação de seu contrato ontem à tarde, mas ainda é duvida.

Candinho quer que tanto Marcos Adriano, pela esquerda, como Cláudio, pela direita, apóiem o ataque constantemente. A marcação no meio-campo e a cobertura das laterais será feita por Gallo, Vágner, Robert e Jamelli.

Na frente, Giovanni atuará sem posição fixa e Marcelo Passos exercerá função de falso centroavante. Passos tem orientação para atrair a atenção dos zagueiros e evitar que Giovanni fique preso na marcação adversária.

“É uma função nova a que eu ainda estou me adaptando. Espero que a torcida tenha paciência e compreenda o meu trabalho”, explicou Passos, se referindo às vaias ensaiadas pela torcida na vitória de 3 a 2 sobre o Juventus, na quarta-feira, no Parque Antarctica.

“Não é só o Marcelo que ficou aborrecido com as vaias. Eu também achei injusto”, afirmou o meia-atacante Giovanni.

Diretoria tenta evitar concorrência da praia

O Santos, que colocou à venda 20 mil ingressos para a partida de hoje, decidiu mudar o horário do jogo contra o São Paulo das 16h para as 21h30 para fugir da concorrência da praia e atrair o turista ao estádio de Vila Belmiro.

“À noite, o torcedor, seja ele morador da cidade ou turista, pode ir tranquilamente à praia e depois assistir ao clássico”, disse o presidente clube, Samir Abdul Hak.

Segundo a secretaria de Turismo da Prefeitura de Santos, a previsão de ocupação média nos hotéis da cidade, neste final de semana, é superior à 70%.

A diretoria santista ficou decepcionada com as arrecadações obtidas nas duas primeiras partidas do Santos no Campeonato Paulista. Na estréia, contra o União São João, na Vila Belmiro, 8.538 pessoas pagaram ingresso. Na última quarta-feira, contra o Juventus, no Parque Antártica, o público pagante foi de 7.261 pessoas.

No jogo de hoje, como forma de atrair mais torcedores, a diretoria sorteará bolas, bicicletas e camisas oficiais do Santos.

Caso a Vila Belmiro abrigue um público superior à 18 mil pessoas, Hak pretende que o jogo contra o Corinthians, marcado para dia 11, seja disputado às 19h.

Além da questão financeira, o presidente santista classificou de “desumana” para os jogadores a marcação de partidas no período da tarde durante o verão. A idéia de enfrentar o São Paulo às 21h30 foi elogiada pelos atletas e pela comissão técnica.

“Não há vigor físico que suporte um sol de 35 graus”, disse o preparador físico Carlito Macedo.

Na Polícia Militar, que destacou 220 homens para a partida (são 90 policiais nos jogos contra times pequenos), a mudança no horário do jogo também foi bem recebida.

Cláudio pega seu ex-clube

O lateral-direito Cláudio quer estrear hoje no Santos “acertando um cruzamento para um gol de cabeça do Giovanni”.

Para o jogador, a vinda para o Santos significa “um recomeço na carreira”.

Apesar disso, Cláudio está fora de forma física e pode não aguentar o ritmo da partida. “Se não aguentar, peço para o Candinho me substituir”, afirmou.

Repórter – Você estréia no Santos contra o seu ex-clube, o São Paulo. É uma motivação a mais?
Cláudio – Para mim, a motivação maior é voltar a jogar depois de quase dois meses parado. É um recomeço na minha carreira, um momento que aguardo com grande expectativa.

Repórter – O técnico Candinho deu liberdade para que você ajude o Santos ofensivamente?
Cláudio – Sim, ele quer que eu capriche nos cruzamentos da linha de fundo. Espero estrear acertando um cruzamento para um gol de cabeça do Giovanni.

Repórter – O fato de estar há 60 dias sem jogar pode atrapalhar?
Cláudio – Não estou no ideal da minha forma física. Por isso, terei que saber lidar com essa limitação.

Repórter – Você irá se poupar no início do jogo?
Cláudio – Isso não funciona. Se não aguentar, peço para o Candinho me tirar.