Santos 2 x 2 Botafogo – 3 x 4 pênaltis

Data: 25/02/1998, quinta-feira, 21h40.
Competição: Torneio Rio SP – Semifinal – Jogo de volta
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 17.693 pagantes
Renda: R$ 193.760,00
Árbitro: Reinaldo Ribas Vieira (RJ).
Cartões amarelos: Ânderson, Marcos Assunção, Ronaldão e Caio (S); Pingo, Djair, Gonçalves e Túlio (B).
Cartão vermelho: Dutra (S).
Gols: Túlio (37-1); Djair (16-2), Marcos Assunção (19-2) e Ronaldão (22-2).
Pênaltis: Botafogo: Bebeto, Gonçalves, Jorge Antônio e Jorge Luís marcaram para o Botafogo. França desperdiçou. Santos: Marcos Assunção, Narciso e Sandro marcaram. Ânderson Lima e Jorginho desperdiçaram.

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Ronaldão e Dutra; Marcos Assunção, Narciso, Caíco (Macedo)(Sandro) e Jorginho; Caio e Müller.
Técnico: Emerson Leão

BOTAFOGO
Wágner; Wilson Goiano (Jorge Antônio), Jorge Luís, Gonçalves e Jéferson; Pingo, Djair (Zé Carlos), França e Sérgio Manoel (Marcelo Alves); Bebeto e Túlio
Técnico: Gílson Nunes



Nos penais, Botafogo vence Santos e vai à final

O Botafogo se classificou para a final do Torneio Rio-SP ao vencer o Santos nos pênaltis (4 a 3), após empate de 2 a 2 no jogo.

Nos primeiros 12 minutos, o Santos não deixou o Botafogo jogar. Marcando sob pressão, o time paulista recuperou várias vezes a bola no campo do adversário e criou várias chances, mas errou finalizações fáceis.

O Botafogo, como já fizera contra o Palmeiras, procurava evitar erros e jogar nas falhas do adversário. Aos 37min, Ronaldão errou um passe na defesa. Túlio roubou a bola e não errou: 1 a 0.

O erro foi tão grosseiro que o jogador foi consolado pelos colegas e no intervalo assumiu a falha.

Após o intervalo, o Santos criou diversas chances. Mas, novamente, após 12min, o Botafogo reequilibrou o jogo. Aos 16min, foi o goleiro Zetti que falhou, num chute rasteiro de Djair, numa cobrança de falta: 2 a 0 para o Botafogo.

Aos 19min, quando o Santos parecia morto, Marcos Assunção, de 30 metros de distância, mandou a bola no ângulo: 1 a 2.

Aos 22min, numa cobrança de escanteio, Ronaldão empatou o jogo.

Dutra foi expulso aos 32min e o jogo mudou. O Botafogo foi ao ataque, e o Santos passou a viver de arrancadas de Caio e Muller.

Na disputa de pênaltis, Bebeto, Gonçalves, Jorge Antônio e Jorge Luís marcaram para o Botafogo. França desperdiçou para o time carioca.
Pelo Santos, Marcos Assunção, Narciso e Sandro marcaram. Ânderson e Jorginho falharam.



Leão usa rotina vitoriosa contra pressão ( Em 26/02/1998 )

O técnico Leão quer evitar que a invencibilidade do Santos se transforme em fator de pressão sobre os jogadores na partida de hoje, às 21h40, no Pacaembu, contra o Botafogo, pelas semifinais do Torneio Rio-São Paulo.

O treinador tenta minimizar a expectativa acumulada sobre o time depois de dez jogos consecutivos sem derrota. Neste ano, a equipe ainda não perdeu, acumulou cinco vitórias e cinco empates, pelo Rio-São Paulo e pela Copa do Brasil.

A estratégia “psicológica” de Leão é fazer com que a sequência de bons resultados comece a ser encarada como “rotina”. “Se enfatizar o fato de que não perdemos há dez jogos, vai aumentar a dose de expectativa. Se passarmos que isso faz parte da rotina de uma grande equipe, não incomoda”, disse Leão.

Para os jogadores, uma eventual derrota acontecerá, mais cedo ou mais tarde. Alguns dizem que tentam não pensar no assunto. Outros planejam a manutenção da série invicta pelo maior prazo possível.

“A gente não fica pensando no fato de não ter perdido. Sabemos que esse dia (da derrota) sempre chega. Só espero que não seja agora (contra o Botafogo)”, afirmou o atacante Caio.

Os zagueiros Ronaldão e Argel concordam, mas querem esforço para prolongar ao máximo a sequência de jogos sem derrota. “Estamos com os pés no chão. Em futebol, ninguém é invencível. Mas, se a fase está boa, vamos tentar mantê-la o máximo possível”, declarou Ronaldão.

Para Argel, o acúmulo de bons resultados aumentou a confiança dos jogadores, o que, segundo ele, fez diminuir o risco da derrota. “Na hora em que a derrota acontecer, será algo normal. Se pudermos segurar até o final do ano sem perder, vamos fazer de tudo para isso”, disse Argel.

Leão quer evitar o risco de a decisão ser levada para os pênaltis. O treinador avaliou como negativo o empate em 0 a 0 na primeira partida da semifinal, no Maracanã. “Mediante as circunstâncias, o empate não foi bom resultado, pelo volume de jogo que o Santos apresentou”, afirmou o técnico.

A escalação do time depende da confirmação pelos médicos da presença de Narciso e Jorginho. Ambos se machucaram na vitória da última quinta por 5 a 2 sobre o Goiás. O volante Narciso sentia dores na virilha, e Jorginho, no púbis, em razão de uma joelhada que sofreu em Goiânia. Os substitutos prováveis são o volante Élder e o meia Arinelson.

Time melhora seu histórico

O desempenho do Santos no Rio-São Paulo -o time tenta conquistar neste ano o bicampeonato- está ajudando o clube a se aproximar de seus rivais cariocas no histórico de confrontos diretos.

O Santos não supera em vitórias nenhum dos chamados “grandes” de São Paulo e do Rio, segundo os dados de Francisco Mendes Fernandes, responsável pelo Departamento de Estatística do clube.

Se vencer o Botafogo hoje, o Santos se igualará ao rival carioca em número de vitórias. Em 65 confrontos, o Botafogo venceu 24, o Santos, 23, e houve 18 empates.

No último dia 11, o Santos conseguiu alcançar o Flamengo, ao vencer a equipe carioca por 3 a 1 na Vila Belmiro, também pelo Rio-São Paulo. Com o resultado, cada um ficou com 28 vitórias e 19 empates em 75 confrontos.

Vasco e Fluminense ganharam mais do que perderam do Santos. O Vasco ganhou 29 e perdeu 27 partidas para o Santos (25 empates). O Fluminense tem 23 vitórias contra 21 (12 empates).

A distância entre o Santos e seus rivais paulistas é bem maior.

O time só conseguiu 63 vitórias sobre o Palmeiras, contra 112 do adversário e 63 empates.

O Corinthians tem uma diferença de 33 vitórias a seu favor. Ganhou 107, perdeu 74 e empatou outras 74.

Contra o São Paulo são 95 vitórias tricolores, 70 santistas e 54 empates.

Argel vira líder do time

Com seis anos como profissional, o zagueiro gaúcho Argel, 23, já acumulou experiência no futebol que jogadores mais velhos ainda não possuem. Antes se transferir no início do ano para o Santos, a pedido de Leão, atuou durante três anos (95-97) no Verdy Kawasaki, do Japão.

Ele jogou no Internacional (RS), onde iniciou a carreira, e defendeu a seleção brasileira nas categorias infantil, juvenil, juniores e principal, para a qual foi convocado cinco vezes.

No Santos, Argel é titular desde que chegou e vem se destacando como um dos líderes da equipe.

Repórter – Atuar no Japão acrescentou algo ao seu futebol?
Argel – Acrescentou muito. Eu me tornei bem mais rápido porque o futebol lá é muito corrido.

Repórter – Você já se sente readaptado ao futebol brasileiro?
Argel – Sim. Fui bem recebido no Santos, que me deu toda a estrutura para desenvolver meu trabalho.

Repórter – Você não é o capitão do time e está há pouco tempo no clube, mas já exerce uma liderança na defesa e orienta os demais jogadores.
Argel – Acho que essa liderança é uma coisa normal, não é forçada. Procuro ajudar os companheiros, como eles procuram me ajudar. Há uma cobrança entre nós jogadores dentro do campo, e isso só ajuda.

Repórter – O seu entrosamento com o Ronaldão já é suficiente para ter dado estabilidade à defesa?
Argel – Acho que ainda estamos buscando o entrosamento ideal. A equipe ainda tem muito a melhorar na parte tática. Mas as coisas melhoraram bastante.

Sérgio Manoel reestréia no Botafogo após três anos

O Botafogo enfrenta o Santos hoje pela semifinal do Torneio Rio-São Paulo motivado com a reestréia do meia Sérgio Manoel, que retorna ao clube depois de três anos, e com a volta ao time do zagueiro Gonçalves, que estava servindo à seleção brasileira na Copa Ouro, nos Estados Unidos.

A comissão técnica do clube carioca não deu folga para os jogadores durante o Carnaval. Ontem, a equipe fez um recreativo à tarde e alguns jogadores treinaram pênaltis.

Em caso de empate na partida de hoje à noite, a classificação para a final da competição será decidida na cobrança de pênaltis.

O técnico Gílson Nunes avisou que sua equipe, mesmo jogando fora de casa, não vai assumir uma postura defensiva. Segundo Nunes, a equipe carioca vai atuar de forma compacta no meio-campo, buscando explorar a habilidade da dupla de ataque, Bebeto e Túlio.

O vencedor hoje decide o título da competição contra Palmeiras ou São Paulo, que disputam a outra semifinal. Na primeira partida, Santos e Botafogo empataram sem gols, no Maracanã.