Santos 2 x 1 Goiás

Data: 26/08/2006
Competição: Campeonato Brasileiro – 20ª rodada
Local: estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.048 pagantes
Renda: R$ 55.875,00
Árbitro: Sérgio da Silva Carvalho (DF)
Auxiliares: Enio Ferreira de Carvalho e Eremilson Xavier Macedo (ambos do DF)
Cartões amarelos: Ronaldo Guiaro, Carlinhos, Domingos, Manzur, Rodrigo Tabata e Maldonado (S); Cléber, Welliton, Aldo, Johnson, Amaral e Cléber Gaúcho (G).
Gols: Souza (37-1); Kléber (10-2) e Carlinhos (17-2).

SANTOS
Fábio Costa; Manzur, Ronaldo Guiaro (Carlinhos) e Domingos; Denis, Maldonado, Cléber Santana, André e Kléber; Jonas (Rodrigo Tabata) e Leandro (Wellington Paulista).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo

GOIÁS
Harlei; Cléber, Rogério Corrêa (Amaral) e Aldo (Johnson); Vítor, Cléber Gaúcho, Danilo Portugal (Juliano), Fábio Bahia e Luciano Almeida; Welliton e Souza.
Técnico: Geninho



Santos supera primeiro desesperado e reduz diferença para ponta

Em duas oportunidades, o Santos falhou ao tentar superar rivais que vinham mal no Campeonato Brasileiro. Neste sábado, a equipe alvinegra chegou a dar indícios de que repetiria a série, começou perdendo para o Goiás e recebeu vaias de sua torcida. Contudo, virou para 2 a 1 e diminuiu para dois pontos a desvantagem para o líder São Paulo, que tem dois jogos a menos.

Dono da melhor defesa do Campeonato Brasileiro (foi vazado apenas 18 vezes), o Santos chegou neste sábado a 35 pontos em 20 partidas e manteve a segunda colocação do torneio nacional. O time são-paulino, que somou 37 pontos até aqui e teve um jogo adiado (contra o Atlético-PR) em função da disputa da decisão da Copa Libertadores, enfrentará o Flamengo no domingo.

Além de ter diminuído a desvantagem para o São Paulo, o Santos encerrou uma fase negativa. O time alvinegro havia enfrentado dois adversários que viviam momentos ruins nas rodadas passadas e acumulou um revés (2 a 0 para o Vasco, que ostentava três partidas sem vencer) e um empate (1 a 1 com o Santa Cruz, que tinha um jejum de triunfos de quatro partidas).

Em razão dos insucessos que colecionou nas rodadas anteriores, o Santos entrou em campo sob desconfiança neste sábado. O clima se intensificou depois que o Goiás abriu o placar, com o centroavante Souza, aos 37min do primeiro tempo. “O torcedor tem o direito de cobrar e vaiar, mas tem que saber que estamos fazendo o melhor para conseguirmos os resultados positivos”, defendeu-se o lateral-direito Denis.

A reação do Santos corroborou o péssimo momento que o Goiás vive no Campeonato Brasileiro. O time esmeraldino não vence um jogo sequer desde o dia 1º de junho, quando fez 1 a 0 sobre o Corinthians. Desde então, nas 11 partidas que disputou, acumulou sete derrotas e quatro empates.

Único time que ainda não venceu no Campeonato Brasileiro depois da paralisação da competição em virtude da Copa do Mundo, o Goiás estacionou nos 21 pontos e vê a zona de rebaixamento da competição nacional cada vez mais próxima. Terceiro colocado na temporada passada, o time esmeraldino pode cair até para a penúltima posição no complemento da rodada, neste domingo.

“Estamos em uma situação difícil e jogamos contra um grande adversário. É sempre complicado jogar contra o Santos, ainda mais quando eles estão em um momento como esse. Eles não foram bem nas rodadas passadas e isso gerou uma necessidade de reação”, lamentou o técnico Geninho, que somou dois empates e duas derrotas desde que retornou ao time do Cerrado.

Agora, as duas equipes voltarão a campo na próxima quarta-feira. O Goiás receberá o Fluminense, às 19h30, no estádio Serra Dourada. Já o Santos jogará fora de casa contra o Atlético-PR, na Arena da Baixada, às 22h.

O jogo

Ao contrário do que havia feito nas três últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, o técnico Vanderlei Luxemburgo escalou o Santos com três zagueiros neste sábado. “A intenção foi dar um pouco mais de consistência à equipe para encarar o Goiás, que tem muita velocidade no contra-ataque e preenche bem os espaços do meio-campo”, explicou o comandante alvinegro, que aproximou demais o desenho tático de seu time ao do visitante esmeraldino.

A grande diferença tática existente entre Santos e Goiás é que, enquanto o time paulista preferiu montar um meio-campo marcador no lado esquerdo e liberou o lateral Kléber para percorrer todo o campo, o time esmeraldino concentrou sua cobertura na ala direita e deu espaço para o avanço de Vítor em diagonal.

O problema é que, como as duas equipes apostaram nos avanços de seus alas em diagonal e montaram o meio-campo com cinco homens, o jogo ficou muito concentrado e sem espaços para a criação de lances ofensivos. A morosidade da partida só mudou em duas jogadas individuais do atacante Welliton, aos 18min e aos 20min do primeiro tempo. Em ambos os lances, o camisa 11 dos visitantes levou vantagem sobre Manzur na velocidade e chutou cruzado de perna direita, mas mandou a bola perto da trave direita de Fábio Costa.

Melhor em campo, o Goiás inaugurou o marcador aos 37min da etapa inicial. Vítor carregou a bola em diagonal, desde o campo de defesa, e tocou na esquerda para Souza. O centroavante driblou Maldonado para o meio e concluiu de pé direito, de chapa, no canto esquerdo alto de Fábio Costa. “Foi um grande lance do Vítor e eu vi a posição do goleiro antes de bater. Fui muito feliz e o importante é que consegui ajudar minha equipe”, comemorou o camisa 9 da equipe esmeraldina, que chegou a nove gols no Campeonato Brasileiro e empatou com o ex-botafoguense Dodô e o cruzeirense Wagner na artilharia.

O gol fez o técnico Vanderlei Luxemburgo dar mais liberdade ao lateral-esquerdo Kléber, principal jogador do Santos no jogo, que criou a melhor oportunidade do time paulista na primeira etapa em uma cobrança de falta, aos 47min, que Harlei desviou para escanteio em seu canto esquerdo alto. A facilidade de movimentação do camisa 3 se intensificou depois do intervalo, já que o comandante alvinegro trocou o zagueiro Ronaldo Guiaro e o atacante Jonas, respectivamente, pelo lateral-esquerdo Carlinhos e o meia Rodrigo Tabata.

Com Kléber à vontade, o Santos cresceu e passou a dominar o Goiás. E então, evidenciou o nervosismo da equipe esmeraldina. O time visitante se limitou a afastar as investidas alvinegras e não conseguiu armar jogadas em sua intermediária. Assim, ofereceu o domínio do confronto aos paulistas.

O panorama do jogo ficou ainda mais favorável ao Santos aos 10min, quando Kléber cobrou falta da meia direita, com categoria, e colocou a bola no ângulo esquerdo de Harlei para igualar o placar na Vila Belmiro.

O gol desmontou o Goiás, que se perdeu na marcação do Santos. Prova disso é que o time da casa chegou à virada aos 17min, em jogada individual de Carlinhos. O lateral-esquerdo conduziu a bola, driblou Cléber para o meio e chutou cruzado, de fora da área, no canto esquerdo baixo de Harlei, para anotar o segundo do time alvinegro e determinar a vitória.

Santistas voltam a falar sobre o título

Com a vitória, santistas voltam a pensar novamente no título do Brasileiro, e não querem deixar o líder São Paulo se distanciar.

Após duas rodadas sem vencer, o Santos voltou a conquistar três pontos na tabela, e agora, está a apenas dois atrás do líder São Paulo (porém, com duas partidas a mais). O sonho de conquistar o título voltou a ser comentado pelos santistas.

“Conseguimos ter tranqüilidade para sair dessa fase de dois jogos negativos e essa vitória contra o Goiás embala a equipe pra seguir em busca do título do campeonato”, analisou o lateral-esquerdo Kléber, que atuou a maior parte da partida no meio-de-campo.

Porém, segundo o meia Cléber Santana, o pensamento nos líderes tem que ser esquecido. O importante para o Santos é pensar somente em si mesmo e conseguir as vitórias dentro de campo.

“Temos que fazer a nossa parte em campo e sempre jogar buscando a vitória. Sabemos que os líderes não costumam perder pontos, então temos que estar preparados em caso de tropeço para alcançá-los”, disse Santana.

Ao recuperar a vitória, o Santos volta também a sentir a pressão de alcançar os líderes e buscar o título do Campeonato Brasileiro. Para Luxemburgo, isso é mais do que normal.

“Pressão para ganhar, para chegar à primeira classificação, tem que ter mesmo. Quem joga no Santos tem que estar preparado para tudo isso. Duro é pressão para cair”, completou Luxa.